Sorteio de carro atrai 70 mil no comício da Força Sindical
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sexta-feira, 01 de maio de 1998
Agência Estado 
Wilma YabikuSindicalismo de resultadosComício da Força Sindical, no Estádio do Pacaembu: shows e sorteios substituem ato de protestoSorteio de 100 prêmios, entre os quais dez veículos zero quilômetro Corsa, levaram perto de 70 mil trabalhadores ao Estádio do Pacaembu, onde a Força Sindical realizou, ontem, sua comemoração do Dia 1º de Maio. Boa parte das pessoas não conseguiu entrar e assistiu aos sorteios do lado de fora. Substituir atos de protesto por shows e sorteios, na opinião do presidente da central, Luiz Antônio de Medeiros, dá mais resultados. Nos poucos minutos dedicados às reivindicações, Medeiros criticou a reforma da Previdência Social e disse que pretende trabalhar para adiar sua votação para 1999.
A reforma da Previdência é uma fraude, afirmou Medeiros. Segundo ele, o projeto em discussão no Congresso, ao invés de acabar com privilégios, está tirando direitos dos trabalhadores. Trabalhador que se aposentaria em dois meses vai ter de trabalhar mais cinco anos para se aposentar, reclamou o presidente da Força Sindical
Para Medeiros, a reforma da Previdência tem de ser votada só no próximo ano. Se for votada este ano, vai ser aprovado o projeto do Fernando Henrique, afirmou. Durante seu discurso, Medeiros pediu maior empenho do governo na criação de empregos. Queremos que sejam criadas frentes de trabalho e que invistam mais na qualificação da mão-de-obra, afirmou.
O presidente da Força Sindical fez críticas também à estratégia sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que, na sua opinião, fez ontem manifestação de militância. As pessoas querem uma coisa mais leve, se chama para a greve geral, por exemplo, ninguém vai, afirmou. A mobilização da CUT é da época da pedra, acrescentou.
A Força Sindical investiu cerca de R$ 300 mil no evento, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. Atrair uma multidão tão grande não foi difícil com tantos prêmios e trabalhadores com salários baixos. O salário da maioria dos ganhadores dos 10 carros é inferior a R$ 500,00 - nenhum deles tinha um veículo. Também foram sorteados geladeiras, fogões, forno de microondas, ventiladores, entre outros.
Vim só por causa do sorteio, admitiu o 7º ganhador de um dos carros Corsa, José da Silva Santos. Ele é do Maranhão, está há apenas um ano em São Paulo e trabalhando como pedreiro ganha R$ 300,00 por mês. Santos é sócio do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil há apenas nove meses porque a entidade fez uma campanha intensiva para ampliar as adesões.
Os sorteios dos 10 veículos e demais prêmios faziam parte de uma campanha iniciada em fevereiro por 14 sindicatos de trabalhadores filiados à central com o objetivo de ampliar o número de associados. Nas contas de Paulinho, em três meses de campanha, os sindicatos ligados à Força Sindical ganharam mais 48,6 mil sócios e passaram a representar no País 400 mil trabalhadores. Só o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, segundo ele, ganhou 15 mil sócios.
Antes dos sorteios, o público assistiu a uma partida de futebol entre um time de sindicalistas e a Seleção Paulista de Masters. A partida terminou empatada em 1 a 1. Os sindicalistas aproveitaram a ocasião para lançar também uma campanha de ajuda às vítimas da seca no Nordeste. Duas carretas doadas por empresas deixaram São Paulo hoje rumo a Monte Santo, na Bahia, para onde vão levar 60 mil toneladas de alimentos.


