Sorte também está ajudando produtores
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de janeiro de 2004
Vânia Casado<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Agricultores paranaenses mantêm estocados cerca de 865 mil toneladas de soja da safra passada que não foram vendidas. A ocorrência de estoque de passagem de soja de um ano para outro é caso raro porque o grão tem bastante liquidez no mercado e normalmente é toda vendida antes do final do ano. Desta vez, quem conseguiu segurar o produto está rindo à toa com a possibilidade de ganhar mais com a ocorrência da vaca louca nos Estados Unidos.
Este é o terceiro episódio consecutivo que o produtor de soja conta com a sorte a seu lado e vem ganhando muito dinheiro com a atividade, admitiu a analista de mercado Odinéia Santos, da agência Safras e Mercados, de Curitiba. Em 2002, o produtor não gostou das cotações do grão no primeiro semestre e segurou a produção o quanto pode. No segundo semestre foi beneficiado com a explosão da cotação do dólar em função das eleições presidenciais, que valorizou a soja.
No ano passado, mais capitalizados, muitos produtores deixaram para vender a soja no segundo semestre. Mais um acerto. Os produtores não podiam prever a quebra da safra norte-americana só anunciada em setembro, o que provocou outra valorização nas cotações do grão. A saca de soja chegou a ser negociada por R$ 50 pelo produtor no pico da valorização em outubro do ano passado.
Quando as cotações começam a evoluir como aconteceu no ano passado, normalmente os agricultores deixam de vender achando que o produto vai valorizar ainda mais, disse a analista. Mas não foi o que houve. Depois as cotações recuaram. Os produtores que conseguiram reter o produto podem ser beneficiados com o episódio da vaca louca nos EUA, que promete um novo boom para soja e milho, se o país optar por mudar a alimentação dos animais, substituindo a ração animal pela ração vegetal.
De acordo com a agência Safras, a oferta de soja está bastante escassa porque os produtores estão segurando a produção mas alguns negócios ainda estão sendo fechados no Porto de Paranaguá por R$ 49,50 a saca.
De acordo com o coordenador de safras da Secretaria de Estado da Agricultura, Norberto Ortigara, o mercado já está especulando que o grão pode ser vendido entre R$ 55 e R$ 60 a saca em pouco tempo. Ele também prevê boas cotações para o milho que no Paraná está com o maior estoque de passagem dos últimos anos. Conforme levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), cerca de 2,88 milhões de toneladas de milho das duas safras do ano passado não foram vendidos e ainda se mantém nas mãos dos produtores.
Isso ocorreu porque o aumento da produção foi muito maior do que o consumo, explicou a engenheira agrônoma do Deral, Vera Zardo. Segundo ela, a produção de milho no País aumentou de 35 milhões de toneladas em 2002 para 47 milhões de toneladas no ano passado, enquanto o consumo avançou apenas de 36,4 milhões de toneladas para 39,6 milhões de toneladas o mesmo período.
Diante de uma produção recorde, o preço do milho só não caiu provocando mais desânimo no produtor por causa das exportações.


