Soros diz que foi mal entendido sobre a desvalorização do peso
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de maio de 1999
Ariel Palacios Agência Estado de Buenos Aires 
Eu não proponho a desvalorização, nem estou especulando contra o peso. Uma desvalorização para a Argentina teria consequências profundamente negativas, disse ao jornal portenho Clarín o magnata húngaro George Soros. O especulador internacional desmentiu as declarações publicadas pela imprensa mundial na semana passada, onde afirmava que a recessão argentina era causada pela super-valorização do peso, e que o país precisava desvalorizar a moeda. Na semana passada, as declarações causaram a queda na bolsa argentina e a incerteza sobre a moeda do país. Segundo Soros, a imprensa só publicou parte de suas declarações, e afirmou: Não pretendo ser mal-intepretado.
Soros admitiu que o peso está supervalorizado, mas afirmou que isso terá que ser corrigido fazendo da Argentina um país mais eficiente, diminuindo os custos de produção. Está provavelmente supervalorizado porque o Brasil desvalorizou e é um importante sócio comercial da Argentina. Segundo o magnata, o remédio para a recessão argentina não é a desvalorização.
O bilionário também enviou um fax ao presidente Carlos Menem, reproduzindo suas declarações de forma integral, e reafirmando que não pretende especular contra o peso. Soros, que foi um frequente partner do presidente Carlos Menem em diversos jogos de tênis nos últimos anos, possui US$ 731 milhões investidos na Argentina, incluindo todos os shoppings centers de Buenos Aires. Desde 1997 é o maior latifundiário do país.
Enquanto Soros se explicava, o governo tentava acalmar os investidores na nova semana que iniciava: Miguel Kiguel, secretário de financiamento do ministério da Economia, que acumula o cargo de chefe de assessores do ministro Roque Fernández, declarou que a Argentina está preparada para enfrentar um ataque especulativo, já que possui US$ 30 milhões em reservas. Além disso, a Argentina possui US$ 7 bilhões em encaixes bancários que estão imobilizados pelo Banco Central e outros US$ 7,8 bilhões de um acordo feito com bancos internacionais, que consiste em um seguro de liquidez. O país também conta com US$ 2,8 bilhões de um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Destes, US$ 1,5 bilhão são para disponibilidade imediata, enquanto que o restante, para ser liberado, precisa ser aprovado pela diretoria do órgão internacional.
Além dos anúncios sobre a capacidade defensiva da Argentina para o caso de um ataque especulativo, a dolarização também voltou a ser considerada como uma saída para a atual crise de confiança sobre o peso. O entusiasmo do governo argentino aumentou nos últimos dias pelas declarações do novo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Lawrence Summers, de que é favorável ao processo de dolarização na Argentina. O ministério estuda medidas para uma dolarização de fato, como o pagamento de impostos em dólares e também tarifas alfandegárias.


