O secretário da Agricultura e do Abastecimento Hermas Brandão anunciou ontem que o governador Jaime Lerner enviou à Assembléia Legislativa mensagem que permite a realização de concurso público para a contração de 140 técnicos de nível superior, sendo 100 médicos veterinários e 40 engenheiros agrônomos. Essa contratação é fundamental que o Estado tenha estrutura para realizar o teste de sorologia até o mês de Outubro, para detectar a ausência do vírus que provoca a febre aftosa.
Mas até o final da tarde de ontem a mensagem ainda não havia chegado oficialmente à Assembléia Legislativa. A contratação dos técnicos é a condição imposta pelo Ministério da Agricultura para liberar R$ 9 milhões ao Estado para ser aplicado na reestruturação da defesa sanitária animal e vegetal do Estado e criar as condições para a erradicação da febre aftosa. Só que esse trabalho é feito por etapas e a primeira delas é a sorologia, a principal condição para que o Paraná possa reivindicar junto à OIE - Organização de Epizootias - na França a declaração de área livre de febre aftosa, com vacinação. Essa declaração é a ‘chave’ para abrir o mercado externo para a exportação de produtos paranaenses de origem animal e gerar desenvolvimento econômico e renda aqui no Estado, resumiu Brandão.
O anúncio da realização do concurso foi feito ontem, durante reunião de representantes da cadeia produtiva da suinocultura ocorrida na sede da FAEP. O encontro foi uma preparação para a instalação da cadeia produtiva da suinocultura que deverá ser oficializada no dia 5 de julho em Toledo, durante o Encontro Paranaense de Suinocultores. Estiveram cerca de 55 pessoas entre representantes da iniciativa privada, órgãos públicos, mercado varejista e instituições financeiras.
Outro incentivo para a suinocultura anunciado por Brandão foi a parceria entre as secretarias da Agricultura com a Educação para formação de técnicos em suinocultura nas escolas públicas. O curso deverá começar já no próximo ano e inicialmente será restrito apenas às escolas do Oeste e Sudoeste do Estado, onde predominam as granjas de suínos.
Todos os participantes da reunião concordaram que a suinocultura necessita de um fórum para unificar as diversas reivindicações do setor, tanto da iniciativa privada como do setor público. Hoje, cada elo da cadeia produtiva que tem algum problema está se virando sozinho, sem pedir ajuda aos demais. Segundo Hermas Brandão, com a câmara setorial todos os segmentos vão trabalhar em conjunto para o bem de todos e não de forma isolada como está ocorrendo.
Um dos primeiros problemas que deverão ser analisados a nível de câmara setorial será a necessidade de desencadear uma ampla campanha junto à população para incentivar o consumo de carne suína ‘ in natura’. Para o zootecnista Sergio Machado, da Seab, que coordenou a reunião, é preciso desmistificar a idéia de que carne suína faz mal e aumenta o colesterol. Na verdade, qualquer carne contaminada faz mal e só a carne de porco é penalizada. As pessoas não conhecem o alto nível de tecnologia adotado nas granjas que criam suíno, o que confere uma qualidade que é totalmente desconhecida da maioria da população.

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