Sorgo deve ser plantado agora, diz técnico
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quinta-feira, 05 de novembro de 1998
Da Redação 
Se o inverno do ano que vem começar mais cedo e for mais rigoroso - como já se admite -, é mais uma razão para que os pecuaristas, de corte e de leite, se precavenham estocando alimentos que vão substituir o pasto.
Uma boa silagem tem que ser planejada a partir de agora, com a escolha do tipo de semente; com a definição da época ideal para fazer o plantio e a realização de tratos culturais para que a cultura plantada tenha bom desenvolvimento, e depois cortar e ensilar no momento certo.
É hora, portanto, de se preparar para enfrentar pelo menos cinco longos meses marcados por baixas temperaturas e suas consequências como redução das pastagens. No inverno, as folhas secam e o gado perde peso.
Como a palavra de ordem é produzir mais com menores custos, surge como alternativa para produção de silagem o sorgo. É uma planta rústica, que apresenta alto potencial produtivo de massa verde/ha, rica em energia e proteína e com capacidade de se desenvolver em áreas sujeitas a veranicos.
O sorgo sempre foi uma boa opção para a produção de silagem e, nos últimos anos, através da pesquisa, tem-se obtido e colocado no mercado híbridos ainda melhores. Como exemplo podem ser citadas plantas com porte entre 2 e 2,6 metros, mais tolerantes ao acamamento, com panículas maiores o que resulta em altos percentuais de grãos na massa ensilada, entre outros atributos conferidos à planta pelo melhoramento genético. O rendimento e a qualidade da silagem do sorgo, hoje, são considerados excelentes. Quem faz esta observação é o engenheiro agrônomo Guilherme Mezzena, gerente de Produto-Sorgo da Agroceres, uma das empresas produtoras de sementes que atendem o mercado brasileiro.
A cada ano estas características e benefícios em favor de uma boa produção e produtividade são percebidos por um número cada vez maior de agricultores e pecuaristas. É por isso que a área plantada com sorgo vem crescendo em todo o País. Em 1991/92, o Brasil plantou 136.500 hectares de sorgo granífero e 55 mil hectares de forrageiro. Após seis anos, na safra 97/98, a área aumentou para 409.500 ha (o granífero) e, 195.700 ha (o forrageiro) totalizando 605.200 hectares, um crescimento médio para os dois tipos de sorgo de 216%.
Segundo Mezzena, o plantador encontra no mercado três tipos de sorgo:
1) Os híbridos silageiros de porte médio/baixo que produzem uma silagem de alto valor nutritivo pela quantidade de grãos existentes na massa ensilada. Eles são recomendados para a pecuária de leite com produção acima de 20 kg/dia e confinamentos intensivos em que se busca altos ganhos de peso/dia. Para este tipo de gado de raças mais apuradas ele recomenda o uso do AG 2005, de boa conversão de carne e leite.
2) Os híbridos silageiros de porte alto que produzem grandes quantidades de massa verde/ha. Este tipo de sorgo transformado em silagem é recomendado para os rebanhos serem alimentados durante o período seco e de pouco pasto sem que haja perda de peso ou de produção de leite. Para este segmento o híbrido AG 2002 atende aos rebanhos que necessitam de grande quantidade de volumosos.
3) Híbridos de Corte e Pastejo que proporcionam alimentação complementar. Neste caso, há um híbrido que é recomendado para o plantio das águas e da safrinha que fornece forragem fresca tanto no cocho como no pasto, além de usado como feno e silagem pré-secada. É o AG 2501, indicado para esta situação, pois nasce e rebrota rapidamente e tem teores médios de proteína bruta de 16,9% nas folhas, 10,7% no colmo e 13% na planta.
Mezzena explica que o importante é adequar a recomendação para a realidade de cada produtor. É possível fazer uma recomendação segura de alimentação sumplementar para os rebanhos com custos competíveis com a tecnologia de cada produtor, disse.


