Londrina - Uma sopa de letras invade, diariamente, o noticiário econômico. Entre as tantas siglas utilizadas, as taxas de inflação estão entre as que mais chamam a atenção e não é raro aparecer, numa mesma edição do jornal, informações sobre os índices medidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), FGV (Fundação Getúlio Vargas), Dieese (Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Economicos) e da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Difícil é entender para que tantos índices para medir a mesma coisa: o aumento generalizado dos preços.
Cada um deles, no entanto, tem seu método de cálculo e reflete uma realidade. Os que medem o preço ao consumidor (IPC, INPC, IVC, IPCA) têm como parâmetro a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF). Essa pesquisa é feita a cada 10 anos e serve para definir os hábitos de consumo de cada classe social, inclusive lazer e educação, explica Murilo Barela, economista do Dieese.
‘‘Para realizar o POF, pesquisadores deixam uma caderneta na casa de consumidores, que vão anotando tudo o que a família consome e seus gastos durante o dia. Ao final de um período, é levantado o hábito de consumo da família. A partir de então são coletados dados diários sobre os preços desses produtos e serviços’’, explica. Como os hábitos de consumo são diferentes de acordo com a renda familiar, os índices de inflação também serão diferentes para cada classe social. ‘‘Os índices captam o aumento do custo de vida para uma faixa de renda’’, completa Barela.
Entre os índices que medem o aumento dos custos dos produtos ao consumidor estão o IPC (Índice de Preço ao Consumidor), INPC (Índice Nacional de Preço ao Consumidor), IPC-A (Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo) e o ICV (Índice do Custo de Vida).
Além desses índices, há ainda os que medem os aumentos gerais. O IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) é composto por outros três índices: o IPA (Índice de Preço no Atacado), que tenta captar as variações de preços pelos quais passam as mercadorias antes de chegar às prateleiras, o IPC e o INCC (Índice Nacional da Construção Civil). ‘‘Esse índice é muito usado na área financeira e para corrigir tarifas públicas’’, comenta Barela. Tem ainda o IGPDI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna), que não capta as variações dos produtos internos que são exportados e que, por isso, sofrem influência das oscilações do mercado mundial.
‘‘O principal objetivo dos índices é fornecer uma raio X do mercado’’, define Barela. Esses índices embasam negociação salarial, ajudam nas decisões de consumo momentâneo ou a longo prazo, fornecem dados para a decisão de investimentos e também definições de políticas públicas. ‘‘O governo toma decisões de subir ou descer a taxa de juros tendo os níveis de preços como um dos itens determinantes’’, exemplifica o economista.
A captação de preços dos produtos que compõem a POF é feita diariamente. Por isso, esclarece Barela, há divulgações constantes sobre o desempenho dos preços. Essas divulgações servem para mostrar o movimento do período pesquisado e indicam a tendência mensal dos índices.

mockup