Depois de trabalhar 16 anos na mesma empreiteira, Sebastião Paulo Guimarães Filho, 51 anos, de Londrina, perdeu o emprego. Apesar disso já fazer oito anos, o pedreiro ainda não conseguiu um trabalho fixo que equilibrasse suas finanças e está vivendo de bicos. ‘‘Ninguém quer contratar um homem com mais de 50 anos’’, reclama.
Na sexta-feira passada, Paulo arranjou um ‘‘biquinho’’ para consertar uma calçada no centro da cidade. Em dois dias, o trabalho lhe rendeu R$ 60. ‘‘Com este dinheiro dá para completar o total das contas de água e luz’’, disse. Há um ano, Guimarães resolveu trabalhar em São Paulo mas não conseguiu custear despesas duplas. ‘‘Só não pagava para dormir no alojamento e ainda tinha que mandar dinheiro para minha família’’. O trabalho da semana passada foi o primeiro que ele conseguiu arrumar deste seu retorno a Londrina, há três meses.
Com mulher e três filhos, ele diz que passa necessidades. ‘‘Às vezes, dependemos da ajuda de parentes ou de amigos, que levam umas compras de supermercado lá em casa’’. O pedreiro começou a construir sua casa há mais de 20 anos mas ainda não terminou. ‘‘Mesmo sendo pedreiro, não tenho dinheiro para comprar o restante de material’’, diz. Ele sonha com um emprego com carteira assinada, que lhe garanta o pagamento de férias e 13º salário. ‘‘Ia ficar mais tranquilo’’. (C.L.)

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