Sonegadores pegam nove anos de prisão
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sexta-feira, 29 de agosto de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Arquivo FolhaInimigo públicoAdemar Costa, apontado como o chefe da quadrilha, quando foi preso em CuritibaTrês integrantes do Clube dos 60 - quadrilha que sonegava ICMS e impostos federais - Ademar Costa, Iran Casagrande e Eddy César Araújo foram condenados por formação de quadrilha, sonegação fiscal e corrupção passiva. A sentença foi publicada ontem no Diário da Justiça. Eles vão ficar presos por nove anos e um mês em regime fechado. O juiz Rogério Ribas, substituto da 3ª Vara Criminal, negou o direito dos réus recorrerem em liberdade.
A condenação na Justiça é a segunda em menos de três meses. Eles já cumpriam pena pelos mesmos crimes, após sentença dada pela Justiça Federal. Os membros da quadrilha estão temporariamente presos na Prisão Provisória do Ahú.
O Clube dos 60 envolve ainda 27 pessoas e empresas que já foram denunciadas pelo Ministério Público. Como o processo foi desmembrado entre os réus presos e os réus soltos, os responsáveis pelas empresas que se envolveram com a sonegação fiscal ainda não têm prazo para serem julgadas.
A denúncia do Ministério Público diz que a quadrilha agia no Estado, desde 1995, sonegando os impostos estaduais e federais. Ademar Costa é apontado como chefe da quadrilha. O crime se caracterizava por encontrar empresas devedoras de ICMS. Eles propunham acertar o pagamento, reduzindo em até 60% o valor devido. Na sentença do juiz, consta que o próprio Ademar Costa estimava que o golpe chegaria a R$ 8 milhões.
A operação se viabilizava através de Eddy César Araújo, funcionário do Banestado. Araújo falsificava as guias de recolhimento e ao invés de repassar o dinheiro para o Fisco Estadual, depositava os valores em contas das empresas fantasmas Eiffel e Ande. O dinheiro era dividido entre os membros da quadrilha. As empresas envolvidas eram beneficiadas porque, ao invés de pagar a totalidade do imposto devido, pagavam 60%. Iran Casagrande, genro de Ademar Costa, era a pessoa responsável por intermediar as operações.
O Clube dos 60 passou a ser a maior quadrilha que atuou no Estado em sonegação de impostos. Eles foram descobertos em julho de 1996 após uma investigação preliminar da Secretaria da Fazenda. Ontem, o secretário Giovani Gionédis apresentou o resultado da operação. É o maior caso de sonegação já localizado no Estado. Agora, temos de esperar o resultado do julgamento dos demais envolvidos, afirmou Gionédis.
A investigação feita pela Receita começou no início do ano passado. O então secretário da Fazenda, Miguel Salomão, havia determinado um rastreamento nas contas de empresas devedoras do ICMS. Checamos os números da Receita com a contabilidade das empresas e verificamos que os dados não batiam, relembrou ontem. Ele afirmou que a Secretaria da Fazenda conseguiu levantar a maioria das provas antes da abertura do inquérito policial.
Salomão, que hoje ocupa o cargo de secretário do Planejamento, disse que o Estado não teve prejuízo com o golpe. Quando as empresas foram identificadas como participantes do Clube dos 60, elas pagaram os impostos atrasados para não serem processadas por sonegação. Se pagaram também para o Ademar Costa, pagaram duas vezes. Agora, que cobrem dele, sugeriu o secretário.


