Sonegação chega a 40% em frigoríficos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
A fiscalização da Receita Estadual em cima dos 23 principais frigoríficos do Estado mostrou que 40% da comercialização de carne estava sendo feita sem nota fiscal. A sonegação ficou evidenciada através da comprovação entre a comercialização e o número de abate de animais. Em 42 dias de fiscalização permanente, os fiscais verificaram crescimento das vendas em relação aos meses anteriores, apesar do período de entressafra. O aumento se deu no volume de notas fiscais emitidas.
Como houve aumento de 40% no recolhimento de impostos, tudo leva a crer que havia uma sonegação deste mesmo percentual, isto é, não havia a emissão de nota fiscal, afirmou o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. A fiscalização constante impediu que houvesse compra de animais sem a emissão de nota fiscal, como poderia estar acontecendo nos meses anteriores, acredita ele.
A estratégia da Receita para fiscalizar os frigoríficos foi a de colocar um fiscal em cada empresa. Eles ficaram de plantão durante todos os dias, afirmou o diretor da Coordenação da Receita Estadual, Jorge de Ávila. Os frigoríficos dos municípios de Joaquim Távora, Santo Antônio da Platina, Jacarezinho, Londrina, Maringá, Umuarama e Toledo entraram no programa de vistoria, que ficou conhecido como Vigília do Boi. A primeira etapa do programa terminou no início deste mês.
Os frigoríficos não negam que há a sonegação de impostos, mas não concordam com o índice de 40%. A sonegação existe porque a fiscalização não atinge todos os frigoríficos. Quem não paga nada de impostos concorre irregularmente conosco, afirmou o diretor-executivo do Sindicato das Empresas de Carne e Derivados do Paraná (Sindicarne), Péricles Salazar.
O diretor-executivo disse que o Sindicarne defende o rigor na fiscalização, mas quer que a Receita atinja todos os frigoríficos, sejam eles inspecionados pelos governos federal, estadual ou municipal. Salazar defende ainda o fim da fiscalização municipal. Dentro dos municípios há critérios políticos que impedem o trabalho dos fiscais, acusou.
Segundo Gionédis, a média histórica de abate de animais registrada pela Secretaria da Fazenda é de 10 mil cabeças de gado nos principais frigoríficos. Durante o mês de setembro foram registrados cerca de 4 mil abates a mais.
A meta da Receita é conseguir manter baixo o índice de sonegação. Neste mês não haverá a fiscalização diária na maioria dos frigoríficos, mas se ao final de outubro houver queda dos números da comercialização do boi isto será um indício de que a mercadoria pode estar sendo vendida novamente sem nota fiscal. Se a produção cair, voltaremos com o plantão, avisou o diretor da Coordenação da Receita Estadual.


