São Paulo - Uma megaoperação da Receita Federal e da Polícia Federal prendeu ontem donos, diretores e advogados da Schincariol, segunda maior cervejaria do Brasil, e pelo menos outras 60 pessoas em 12 Estados envolvidas no que foi divulgado como sendo o maior esquema de combate à sonegação.
Chamada de ''Operação Cevada'', a ação acusa os detidos de participar de uma quadrilha que teria sonegado ao menos R$ 1 bilhão nos últimos cinco anos em impostos federais, como Imposto de Renda e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e estaduais, como o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS). O grupo é acusado de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, evasão de divisas e corrupção de servidores públicos.
Em São Paulo, foram presos os irmãos Adriano (diretor-superintendente) e Alexandre Schincariol (diretor de recursos humanos) - filhos do fundador da companhia, José Nelson Schincariol, assassinado em agosto de 2003. O vice-presidente Gilberto Schincariol e seus dois filhos José Augusto e Gilberto Schincariol Júnior, ambos diretores da cervejaria, também foram presos na sede da Polícia Federal em São Paulo.
Outros três diretores da sede da empresa em Itu (interior de SP) também estão presos: José Domingos Franschinelli (planejamento), José de Assis (comercial), Alcides Vagas Porteiro (industrial) e Carlos Rafael, um dos diretores da fábrica no Rio. Também foram presos dois advogados da empresa -Gustavo Camargo e Vinícius Camargo Silva.
A força-tarefa mobilizou 180 funcionários da Receita e mais de 600 policiais nos 12 Estados - Paraná, São Paulo, Rio, Minas, Espírito Santo, Goiás, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Tocantins e Pará. No total foram 134 mandados de busca e apreensão e 77 mandados de prisão.
A investigação, feita também em parceria com o Ministério Público Federal, teve início em maio de 2004, quando o serviço de inteligência da Receita Federal identificou possível sonegação fiscal na fábrica do grupo Schincariol em Cachoeiras de Macacu, interior do Rio. As denúncias sobre a suposta sonegação chegaram de forma anônima à Receita Federal.
''Foi desmontada uma quadrilha que atuava como uma organização clandestina e criminosa'', afirmou o superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo, José Ivan Guimarães Lobato. Segundo a PF, a sonegação fiscal de tributos estaduais e federais envolvia pelo menos 20 empresas distribuidoras de bebidas que usavam um esquema de subfaturamento na venda de seus produtos com o recebimento ''por fora'' da diferença entre o real valor de venda da cerveja e o valor declarado nas notas fiscais. A força-tarefa também encontrou operações de exportação fictícia. Caminhões de distribuidoras usariam placas frias, disse a PF.
A Polícia Federal abriu inquérito criminal contra a direção da empresa e pediu a prisão temporária dos envolvidos no esquema.

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