Rio de Janeiro - Os resultados da prévia deste mês da Sondagem da Indústria da Transformação, elaborada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), são os melhores dos últimos três anos. Em muitos casos, eles são superados apenas pelas edições da pesquisa feitas em 2000, ano em que a produção da indústria cresceu 6,1%. Pela primeira vez desde abril de 2001, houve uma parcela maior de empresas considerando a demanda interna forte (17%) do que fraca (10%). A diferença de sete pontos porcentuais é a maior desde abril de 2000.
''Agora não são só as exportações que impulsionam a indústria'', comentou o economista da FGV, Aloísio Campelo Júnior. O economista mostrou que as previsões para a procura interna nos próximos três meses mostram que 49% esperam aumento e 12% contam com redução. Os números são até melhores que os esperados para a demanda externa, em que 37% esperam crescimento e 15%, diminuição. O nível global da demanda também mostrou o melhor resultado desde abril de 2000: 18% acham que ela está forte e 10% a consideram fraca. Com isso, caiu de 41% em julho do ano passado para 20% este mês a parcela de empresas que aponta a baixa procura por seus produtos entre os principais limitadores de uma expansão mais rápida da produção.
Emprego - Outro resultado animador é o de emprego. Nos questionários entregues por 443 empresas com vendas totais de R$ 116,8 bilhões, 28% informavam pretender contratar mão-de-obra entre este mês e setembro, enquanto 7% mostravam intenção de demitir. A diferença de 21 pontos porcentuais é a maior nesta resposta desde outubro de 2000, ano em que houve aumento do emprego industrial.
O nível dos estoques foi considerado normal por 68%, o maior número da série histórica reconstituída destas empresas, iniciada em 2000. A situação atual dos negócios foi avaliada como boa por 31% das empresas e fraca por 10%. A diferença de 21 pontos porcentuais é a maior desde janeiro de 2001.
A maioria das empresas (53%) prevê que a situação dos negócios vai melhorar nos próximos seis meses, enquanto 5% acham que vai piorar. Mais que a metade (54%) espera aumento de produção neste trimestre.
Preços - A prévia também mostrou um aumento de 5% para 13% na parcela das empresas que prevêem reduzir seus preços no trimestre. Continua bem maior, no entanto, a fatia das que querem reajustar preços: 42%. Mas, segundo Campelo Júnior, isso indica que os preços em geral vão subir mais lentamente, reduzindo a inflação dos produtos industriais medida pelo Índice de Preços por Atacado (IPA), calculado pela FGV.
Para o economista, o aumento na parcela de empresas que prevêem redução de preços possivelmente deve-se à baixa dos preços de produtos cotados no mercado internacional e também à valorização do real ocorrida entre 25 de junho e ontem, período da coleta dos questionários da prévia.

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