Sondagem da CNI mostra recuo na produção industrial
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terça-feira, 24 de julho de 2012
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A atividade industrial voltou a recuar em junho, após ter apresentado uma pequena recuperação no mês anterior. O índice que mede a atividade do setor recuou de 51,6 pontos em maio para 45,5 no mês passado. Números abaixo de 50 pontos indicam retração. No primeiro semestre de 2012, o indicador apontou queda na atividade em quatro meses. Os dados fazem parte da pesquisa da Sondagem Industrial divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Além disso, houve queda no emprego, falta de demanda e os estoques permanecem elevados.
A pesquisa mostrou piora no emprego industrial. O índice de evolução do número de empregados caiu de 49,5 pontos em março para 47,2 pontos em junho, sinalizando que houve nova retração na quantidade de pessoas trabalhando no setor. Em maio, o índice tinha ficado em 48,7 pontos.
Além dos problemas que a indústria já enfrentava no ano passado - como forte concorrência com importados e dificuldades para expandir as exportações devido à crise externa -, o setor passou a sentir o impacto da desaceleração do consumo interno.
A pesquisa da CNI mostra que cresceu no segundo trimestre deste ano a preocupação dos empresários com a ''falta de demanda''. Das grande empresas entrevistadas no levantamento, 34,5% manifestaram essa preocupação, um acréscimo de 7,1 pontos percentuais frente ao primeiro trimestre.
Com reflexo do esfriamento do consumo, os estoques permanecem elevados. Segundo a CNI, o indicador que mede o volume de estoques não desejados recuou de 53,1 pontos em maio para 52,5 pontos em junho, mas permaneceu acima dos 50 pontos, o que indica que as mercadorias estocadas continuam acima do planejado pelas empresas.
Segundo pesquisa divulgada na segunda-feira pelo Banco Central, economistas de mercado projetam que a produção industrial fechará o ano com leve queda de 0,04%, após ter crescido apenas 0,3% em 2011.
Para o economista e presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço, a diminuição da atividade industrial e do emprego no setor é reflexo da diminuição da atividade econômica e da queda da demanda no mercado interno e externo.
Segundo ele, o Brasil também teve queda nas exportações com a crise na Europa, a menor demanda na China e as economias de Japão e Estados Unidos que estão estagnadas.
No mercado brasileiro, a demanda também vem encolhendo porque, segundo Lourenço, o ciclo de endividamento do consumidor atingiu o limite. Em função disso, os brasileiros estão preferindo priorizar o pagamento de dívidas e não fazer novos gastos. Isso diminuiu a demanda do comércio e, desta forma, a indústria fica com estoques maiores.
Segundo ele, a queda da demanda de outros países não foi compensada pelo mercado interno. Lourenço destacou que as medidas adotadas pelo governo federal como redução de juros e desoneração do IPI para alguns setores da economia também não surtiram os efeitos esperados no mercado interno.
O resultado da pesquisa levou a CNI a assumir que a queda na produção fez a indústria ''perder o primeiro semestre'' do ano. Lourenço disse que as indústrias têm agora cinco meses até o final do ano para desovarem os estoques. Caso aconteça esta desova do estoque será a partir de setembro, para atender as festas de fim de ano, e o presidente do Ipardes prevê que, mesmo assim, três ou quatro meses de aquecimento não devem compensar as perdas da indústria do ano todo. Ele acredita que no restante do ano dificilmente haverá grandes volumes de produção e contratação na indústria.



