Sondagem da CNI mostra pessimismo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de novembro de 1998
Agência Estado 
As pequenas e médias indústrias do País não acreditam que a economia brasileira vá melhorar nos próximos seis meses, conforme a pesquisa Sondagem Industrial feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com 537 estabelecimentos desse segmento em 20 Estados. Conforme a pesquisa, o quadro geral é de pessimismo, embora metade das entrevistadas tenha manifestado uma expectativa de confiança com relação ao próximo semestre. Os Estados mais pessimistas foram Pernambuco, com 67%, São Paulo, com 65%, e Goiás, com 64%. Apenas o Pará apontou tendência positiva com 39% das indicações.
Conforme os dados divulgados pelo presidente da CNI, senador Fernando Bezerra (PMDB/RN), e pelo coordenador da Unidade de Competitividade Industrial da entidade, Luiz Carlos Barbosa, os setores mais pessimistas com relação ao desempenho da economia para o próximo semestre são o metalúrgico e o de material de transporte, com 67% das indicações, respectivamente, seguido do setor editorial e gráfico, com 63%. A expectativa positiva foi indicada pelo ramo de bebidas, apontado por 50% das empresas.
Barbosa explicou que para 76% das empresas participantes da Sondagem Industrial da CNI, as condições atuais da economia no terceiro trimestre foram piores quando comparadas com os primeiros seis meses do ano. Setorialmente, a única exceção foi o setor de material de transporte, aonde 67% das empresas indicaram condições de estabilidade. No setor têxtil, embora dentro da tendência de piora, 12% das empresas indicaram melhora nas condições atuais da economia.
As pequenas e médias indústrias também se manifestaram sobre as atuais condições dos diversos setores de atividades no terceiro trimestre, sendo que 58% das empresas consultadas consideraram que houve piora dessas condições em relação ao primeiro semestre, sendo que essa situação foi pior para as pequenas empresas (67%). Com relação às condições atuais das empresas no terceiro trimestre deste ano, comparadas com o último semestre, foi registrada uma tendência de estabilidade, segundo Barbosa.
A Sondagem Industrial da CNI, que vem tentando acompanhar o desempenho das pequenas e médias indústrias nos últimos sete anos, também indicou que houve queda na produção, no emprego e no faturamento desse segmento no terceiro trimestre deste ano. Conforme a pesquisa, 50% das pequenas empresas indicaram tendência de queda, enquanto as médias indicaram estabilidade na produção.
Com relação à capacidade instalada, mais da metade das pequenas e médias indústrias (56%) pesquisadas trabalharam com um nível de utilização abaixo de 70% no primeiro trimestre deste ano, sendo que as pequenas tiveram essa capacidade de utilização mais reduzida (64%).
Isso carrega os custos fixos das empresas, observou Barbosa. Os setores que tiveram as maiores quedas nesse indicador foram os de material elétrico e de comunicações, material plástico e de produtos alimentícios.
Barbosa explicou que os setores de material elétrico e de comunicações também foram os que apresentaram maiores indicativos de queda com relação ao nível de emprego - 70% das indicações de queda - em julho, agosto e setembro últimos em comparação ao primeiro semestre do ano. O destaque positivo ficou com o setor de material de transportes, que indicou estabilidade (83%) dos níveis de emprego, com tendência a aumento.
Sobre o faturamento, 45% das empresas entrevistadas indicaram queda neste terceiro trimestre, sendo que 50% das de pequeno porte foram as mais atingidas. As indústrias participantes da Sondagem Industrial, a exemplo de pesquisas anteriores, também indicaram que o principal problema por elas enfrentado nos meses de julho, agosto e setembro deste ano, foi a elevada carga tributária.


