Brasília - A recessão chegou ao fim, o setor industrial e a economia retomarão a trajetória de crescimento nos últimos meses deste ano, e 2004, com a retomada da demanda doméstica, passa a ser um ano promissor. É o que aponta a pesquisa Sondagem Industrial, feita com 1.247 empresas entre 24 de setembro e 14 deste mês, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O sentimento dos empresários retratado na sondagem mostra que nos últimos três meses houve melhoras na produção, no estoque, no faturamento, no emprego e na utilização da capacidade instalada das indústrias.
''Os indicadores pararam de piorar. A expectativa é de expansão para os últimos meses do ano e para os primeiros meses do próximo'', afirmou o coordenador de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. De acordo com ele, a recuperação industrial vai acontecer ''na esteira do aumento da demanda doméstica''. Castelo Branco ressalvou a necessidade de recuperação da renda das famílias brasileiras para que a demanda cresça ainda mais, de forma sustentada, porque só a expansão do crédito não sustentará o crescimento industrial e da economia.
A Sondagem Industrial mostrou uma melhora de 13,72% no sentimento do empresariado quanto ao ritmo de produção industrial. Apesar de o indicador ainda estar abaixo dos 50 pontos (o indicador varia de zero a 100 pontos e valores acima de 50 mostram evolução positiva, ou confiança), ele está mais próximo desse valor do que há três meses. Era de 43 pontos no trimestre fechado em julho e passou para 48,9 pontos neste mês.
O mesmo acontece com os estoques e o faturamento. O nível de formação de estoques caiu 5,46% no intervalo de comparação, ou seja, as vendas das indústrias melhoraram no período, apesar de ainda haver mercadorias paradas nas empresas. E o sentimento dos empresários quanto ao faturamento, que em julho (43 pontos) estava no nível mais baixo desde abril de 2000 (37 pontos), melhorou em 12,52% neste mês (48,5 pontos).
As empresas industriais ainda precisam de ajustes no nível de emprego, afirmou Castelo Branco. ''Mas agora já estão demitindo menos do que antes e o indicador está mais próximo da estabilidade no emprego'', ressaltou. O sentimento do empresário quanto ao emprego melhorou 3,93% no período analisado.
A utilização da capacidade instalada das indústrias brasileiras cresceu 2,94% entre julho e outubro, de 68% para 70%. Isso mostra, segundo o economista da CNI, que as empresas aguardam para os próximos meses aumento das encomendas.
Castelo Branco disse ainda acreditar que o ambiente econômico melhorará até o final do ano, com mais quedas na taxa básica de juros, a Selic. ''Com certeza há espaço para que o Copom corte amanhã (hoje) a Selic entre 1 e 1,5 ponto percentual. A inflação está contida e não há sinais de disparada da demanda e de aumentos de preços'', afirmou.
Apesar do otimismo em relação à atividade econômica no último trimestre do ano, a CNI admite que não será possível reverter o quadro de crescimento da economia. Por isso, o economista manteve a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 0,5% para este ano mas prevê um crescimento de 3,5% para 2004. Quanto ao PIB industrial, Castelo Branco disse que em 2003 deve ficar estável em relação ao ano passado, porque o primeiro semestre foi muito ruim para o setor.

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