Curitiba - A produção da indústria sofreu queda em setembro depois de ter registrado um crescimento acentuado em agosto. Uma sondagem realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) que ouviu 1.790 empresas, mostrou que o índice que mede a atividade do setor caiu de 54,7 pontos em agosto para 47,1 pontos no mês passado. Resultados abaixo de 50 pontos indicam retração na produção.
O mais comum era que a atividade da indústria crescesse em setembro em relação a agosto, pois é nos últimos meses do ano que as empresas costumam acelerar a produção para atender as demandas do varejo para o Natal.
Na última quarta-feira, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou que o Índice de Confiança da Indústria (ICI) de outubro apurado na prévia da sondagem apontou um aumento de 1,3% em relação ao resultado de setembro, atingindo 106,4 pontos.
O economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, explicou que o índice da FGV é mais de expectativa de como a indústria estará no futuro. Já o da CNI, mede o que está acontendo no setor no momento. Portanto, são análises diferentes.
''A indústria está melhorando aos poucos porque o segundo semestre é sempre de mais atividade do que no primeiro'', disse Zurcher. Ele acredita que, no cenário nacional, a indústria vai crescer devagar, até porque não está sedimentado um aumento da atividade industrial de forma mais acelerada.
No Paraná, as expectativas são melhores. Segundo ele, o setor de produtos alimentares é um dos que possui maior impacto na indústria paranaense. Com a quebra na safra 2011/12, a indústria foi afetada. A expectativa para a safra 2012/13 é boa e isso deve movimentar fortemente a economia do Estado, de acordo com o economista.
''A análise da FGV aponta um sinal de melhora para a indústria, mas a situação atual não está mostrando que o setor está se recuperando'', destacou. A última pesquisa da produção industrial divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que o Paraná tinha crescido 0,2% de janeiro a agosto contra a queda de -3,4% verificada na produção nacional. Para o fechamento de 2012 ele prevê uma alta de 2% na produção paranaense e uma queda de -3% no resultado nacional.
Zurcher acredita que o período de setembro a dezembro deve ter alta na atividade industrial com a produção de final de ano e a influência positiva da preparação para a safra. No Paraná, a produção para o final do ano é concentrada especialmente em automóveis, linha branca, móveis e carnes de aves.
Ele comentou que a expectativa divulgada pela FGV ainda não está muito sólida. ''As medidas do governo de incentivo à economia devem começar a ter seus efeitos nos próximos meses'', disse. Zurcher destacou ainda que o mercado interno não está reagindo como deveria porque o consumidor está endividado.
O economista e reitor da Universidade Positivo, José Pio Martins, disse que a confiança da indústria tem a ver com três fatores: a taxa de câmbio, a taxa de juros e os sinais que o governo dá em relação à tributação. Ele destacou que o câmbio melhorou com o dólar na casa de R$ 2,02, as taxas de juros caíram com a redução da Selic e o governo apostou em medidas de desoneração tributária e ainda criou o Programa Brasil Maior que trouxe redução de impostos. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Sondagem da CNI aponta retração da indústria
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