Sonae vai adotar regras dos outros supermercados
As redes de supermercados Mercadorama, Real, BIG e Coletão - controladas pelo grupo português Sonae - deverão se enquadrar em semelhantes regras de mercado praticadas pelas demais cadeias de supermercados de Curitiba. A garantia foi dada ontem pelo diretor comercial da Sonae, Vicente Dias, a um grupo de fornecedores e atacadistas de produtos hortifrutigranjeiros, durante reunião na sede da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). A empresa aceitou suspender a cobrança da taxa de rapel - valor cobrado dos fornecedores pelos investimentos que o supermercado faz em infra-estrutura e cancelou todos os contratos firmados.
O rapel foi substituído pela bonificação por fidelidade, cujo índice de cobrança não foi revelado a pedido da Sonae, que alegou ser necessário manter segredo frente à concorrência. O rapel era uma tarifa desconhecida até então pelos supermercadistas paranaenses. Esse tal de rapel era ofensivo para nós. Agora ele será substituído por um desconto...por uma coisa séria, declarou o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Celso Gusso, um dos negociadores dos cerca de dois mil fornecedores, que abastecem os supermercados da rede Sonae.
Com os novos contratos, que chegaram a ser assinados por alguns fornecedores, as taxas e descontos saltavam de 5% para 17,5%, podendo atingir até 30%, em determinados casos. Quem é que nos dias de hoje pode conceder descontos tão altos. Isso é irracional, afirmou Gusso. Os fornecedores deixaram a reunião com o diretor da Sonae assegurando que houve entendimento. Amanhã, eles se reúnem para detalhar pequenos pontos pendentes.
O próprio Vicente Dias disse que as divergências são coisas do passado. Chegamos a um acordo e vamos fazer uma grande flexibilização, afirmou, em sua primeira declaração à imprensa. Até ontem, o grupo Sonae se mantinha em silêncio, temendo uma reação negativa por parte da população curitibana. Dias procurou enfatizar que a briga com os fornecedores foi apenas um mal-entendido.
Os atacadistas que vendem hortifrutigranjeiros também comemoraram o entendimento. Fechamos uma negociação que agradou a todos, afirmou o presidente da Federação Paranaense dos Produtores Rurais, Rogério Rosa.
Mesmo com o acordo prévio entre fornecedores, atacadistas e a diretoria da Sonae, os deputados da Assembléia Legislativa mantém a proposta de votar um projeto de resolução que imponha sanções ao grupo Sonae. Apesar das negociações, o presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury, apresentou ontem uma emenda ao seu próprio projeto que dá poderes às secretarias da Fazenda, Saúde, Meio Ambiente e Agricultura para auditarem e fiscalizarem as empresas do grupo Sonae. É um alerta para que sintam que aqui tem governo, afirmou Khury.
Na quinta-feira, a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados faz uma audiência pública para discutir o caso Sonae e a suspeita de monopolização do mercado. A reunião será às 16 horas na Assembléia Legislativa.Kraw PenasEntendimentoVicente Dias, do Sonae, e o vice-presidente da Fiep, Celso GussoCarmem Murara





