Depois de negociar duas semanas com os fornecedores e chegar a um entendimento, o grupo português Sonae - dono das redes Mercadorama, Real, BIG e Coletão - inicia nova batalha: provar que não detém o monopólio do setor supermercadista em Curitiba. A primeira prova de fogo será amanhã em uma audiência pública organizada pela Comissão de Defesa do Consumidor e Meio Ambiente da Câmara dos Deputados. A reunião será na Assembléia Legislativa com a participação de um representante da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça.
O deputado Luciano Pizzatto (PFL), membro da comissão, disse que se ficar comprovado a monopolização do mercado, os deputados poderão criar uma lei específica para o setor dos supermercados. ‘‘Temos que ter uma legislação que obrigue as empresas a comunicar a formação societária e a forma de organização’’, afirmou. Ele disse que é preciso evitar que o caso Sonae se multiplique por outros Estados.
Pizzatto afirmou ainda que a Câmara dos Deputados pode pedir ao Conselho de Defesa Econômica (Cade) providências em relação à Sonae. Por enquanto, não há dados oficiais sobre o controle do mercado, mas alguns fornecedores estimam que ela detenha até 60% das vendas. Somente a rede Mercadorama tinha 40%.
Quanto aos fornecedores e atacadistas da Ceasa, a Sonae aceitou reduzir as taxas que seriam cobradas pela compra dos produtos do atacado. Tanto os fornecedores quanto a empresa disseram que o acordo agradou os envolvidos no impasse. A empresa pediu aos fornecedores sigilo na divulgação do índice que será descontado para que não haja prejuízo frente aos concorrentes. A intenção inicial era aumentar de 5% para 17,5% o desconto.

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