Curitiba Uma das maiores redes hipermercadistas multinacionais instaladas no Brasil pode estar com malas prontas para atuar em outros segmentos. Ou até em outros países. O Grupo Sonae que detém 142 lojas no Brasil (128 delas no Sul) recém vendeu dez unidades supermercadistas em São Paulo para a francesa Carrefour e estaria negociando, segundo a imprensa portuguesa, com o grupo americano Wal-Mart a venda de outras lojas no Sul do Brasil. O assunto ainda está sendo tratado oficialmente como ''boato''.
Entretando uma agência de notícias britânica, a Mergermarket, já teria divulgado que a negociação estaria sendo concretizada e que o valor ofertado para a compra dos supermercados do Grupo Sonae no Brasil chegaria a R$ 2,3 bilhões. A negociação envolveria ativos do Grupo Sonae em São Paulo (interior), Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Estariam na mesa de negociação apenas os supermercados varejistas do grupo: Big, Mercadorama, Nacional e Cândia. A Maxxi-Atacado não estaria na mesa de negociação.
O Grupo Sonae estaria insatisfeito com os tributos e juros elevados no Brasil e com a discriminação em relação a investimentos estrangeiros. Entretanto, o grupo continua sendo o quarto do setor supermercadista brasileiro e o décimo em empregos do Brasil, com 23,2 mil colaboradores. O faturamento em 2004 teria sido de R$ 4,38 bilhões e os investimentos para 2005 estão previstos em R$ 150 milhões. Caso o negócio seja concretizado, o Wal-Mart passa a ser o terceiro maior hipermercado brasileiro em faturamento perdendo apenas para o francês Carrefour e o Grupo Pão de Açúcar.
Em Curitiba, a assessoria de imprensa do Grupo Sonae nega que exista qualquer negociação para a venda de lojas no Sul do Brasil. As operações estariam normais e os projetos inclusive sociais estariam inalterados. ''Não existe nada que indique a possibilidade de venda'', afirmou a assessora. No site do Grupo Sonae, o presidente da Modelo Continente e controladora da Sonae Distribuição Brasil, Nuno Jordão, ressalta que as unidades negociadas em São Paulo não irão representar baixa nos resultados da empresa no Brasil. ''Os negócios no País registram média de crescimento estável e a venda não terá repercussão sobre esse desempenho'', explicou ele, tentando acalmar o mercado supermercadista.
As lojas paulistas teriam sido vendidas porque não teriam atingido a rentabilidade desejada. ''A Sonae está satisfeita com o resultados do negócio com o Grupo Carrefour e quer deixar bem claro para o mercado brasileiro que esta venda é a única prevista. A empresa seguirá com seus investimentos de expansão na Região Sul do País e reafirma a sua vontade de permanecer crescendo no Brasil'', reiterou Jordão. A venda das lojas paulistas para o Carrefour teria rendido R$ 317 milhões ao Grupo Sonae.
A assessoria de imprensa do Grupo Sonae em Portugal solicitou um e-mail com as perguntas sobre possível venda de lojas no Sul do Brasil, mas até ontem ainda não havia respondido oficialmente à reportagem da Folha.

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