Sonae negocia fusão e estuda venda no Brasil para Carrefour
Carmem Murara
De Curitiba
O grupo português Sonae está em vias de fechar um de seus maiores negócios para se transformar na principal empresa de distribuição em Portugal. A Sonae está dividida entre fazer uma fusão com a empresa Jerônimo Martins, que também atua no setor de distribuição de alimentos, ou vender parte de sua rede para o Carrefour, o que implicaria em se desfazer de parte da lojas no Brasil. Alguns jornais portugueses noticiaram na semana passada que há a possibilidade de a Sonae vender sua rede supermercadista no Brasil para a concorrente francesa.
A notícia foi divulgada pelo jornal português Semanário Econômico, que destacou a informação na capa da edição do dia 19 de novembro. A manchete traz o seguinte texto: Sonae e Carrefour em negociações. Belmiro (Belmiro Azevedo, presidente mundial da Sonae) está a negociar a venda dos hipermercados aos franceses do Carrefour e pretende também vender a sua cadeia no Brasil. A Sonae, que tem sede em Porto Alegre (RS), detém os supermercados Real, BIG, Exxtra Econômico, Cândia e as empresas paranaenses Mercadorama, Coletão e Mufattão.
O jornal português informa que há muitos interessados na compra dos supermercados da Sonae, mas que as negociações estão mais adiantadas com o Carrefour. Entre os que manifestaram intenção de negociar está o Walt-Mart, empresa com sede nos Estados Unidos. A preferência pelo Carrefour seria pelo fato de que o grupo francês já detém 21% da Modelo Continente, marca dos supermercados da Sonae em Portugal.
O Semanário Econômico destaca ainda que o Carrefour tem interesse em expandir no Brasil, onde já é dono de uma rede de supermercados com 113 lojas e outros 72 hipermercados. Com a aquisição, o grupo francês conseguiria afastar-se do principal concorrente, o Pão de Açúcar do empresário Abílio Diniz. O Pão de Açúcar é dono da bandeira Extra, que tem duas lojas em Curitiba. Ao mesmo tempo, o Carrefour elimina a concorrência da própria Sonae, que dobrou sua participação no mercado no último ano.
As notícias sobre o grupo Sonae aparecem praticamente todos os dias nos jornais portugueses. O Diário Econômico, em sua edição do dia 22, destacou as negociações entre a Sonae e a Jerônimo Martins, o que poderia representar o adiamento da venda das lojas no Brasil. Se a fusão se confirmar, as portas do Brasil estariam abertas para os investimentos da Jernônimo Martins, em contrapartida a Sonae conseguiria mais espaço nos países do leste europeu, onde a Jerônimo Martins tem mais atuação, principalmente na Polônia.
A fusão das duas empresas criaria uma gigante no setor da distribuição, com uma negociação em bolsa de US$ 500 milhões, informa o jornal. Hoje, o mercado português de distribuição movimenta US$ 750 milhões, logo a união das duas empresas representaria uma detenção de quase 70% do mercado. A concentração se caracteriza monopólio e por isso está sendo analisada pelo Ministério das Finanças e Economia.
A Folha tentou por dois dias consecutivos obter mais detalhes sobre a mudanças nos investimentos da Sonae no Brasil, através da assessoria de imprensa do grupo. Ontem à noite, a diretoria da empresa em Porto Alegre informou pela sua assessoria, que não tem as informações no País e que somente o diretor de comunicação da Sonae em Portugal, engenheiro Manoel Araújo, poderia falar em nome da empresa. Ele não foi localizado ontem pelo jornal, que tentou contato por telefone.





