Rio - A confiança de especialistas econômicos se recuperou no Brasil no trimestre encerrado em julho, mas, se a melhoria das expectativas com o futuro não forem acompanhadas por avanços na percepção sobre a situação presente, o movimento pode não se sustentar. A avaliação é de Lia Valls, coordenadora de Estudos do Comércio Exterior do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
Ontem, a FGV informou que o Indicador de Clima Econômico (ICE) da América Latina subiu 5 pontos, passando de 74 pontos para 79 pontos na passagem do trimestre encerrado em abril para o trimestre encerrado em julho. No Brasil, o ICE subiu 27 pontos, avançando de 55 para 82 pontos, na mesma base de comparação.
Foi o terceiro avanço consecutivo registrado pelo indicador médio da América Latina. A alta de julho foi "exclusivamente" determinada pela melhora das expectativas, segundo a FGV. O Índice de Expectativas (IE) subiu 12 pontos, de 88 para 100 pontos, enquanto o Índice da Situação Atual (ISA) recuou 2 pontos, de 60 para 58 pontos.
No caso do Brasil, o IE saltou de 90 para 144 pontos, enquanto o ISA permaneceu no patamar mínimo de 20 pontos. Segundo Lia Valls, a diferença entre o IE e o ISA no Brasil está tão grande que remete ao quadro de 1989 a 1993 e de 1998 a 2002. Como o ICE é coordenado pelo instituto alemão Ifo, a série histórica começa em 1989.
"A gente sabe que a melhora das expectativas está muito associada ao impeachment da presidente Dilma Rousseff e à promessa de reformas na economia. Se tudo isso se frustrar, o ICE pode cair", comentou Lia.

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