Sombra e água fresca para o turismo de lazer em 2019
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sexta-feira, 01 de fevereiro de 2019
Aline Machado Parodi Reportagem Local 

A Abav (Associação Brasileira das Agências de Viagens) projeta um crescimento entre 18% e 20% no segmento de turismo de lazer. As operadoras de viagem estão animadas com 2019 e pretendem investir no desenvolvimento de seus negócios e contratação de pessoal. Uma pesquisa realizada pela Braztoa (Associação Brasileira de Operadoras de Viagens) mostrou que 94% dos entrevistados apostam em um ano de evolução, 77% pretendem investir na empresa e 48% afirmam que devem ampliar o quadro de funcionários.
O ano passado foi de recuperação para o setor, com muitos feriados prolongados, o brasileiro viajou mais. O crescimento foi de 16%, em relação a 2017.
As vendas têm mantido a mesma proporcionalidade nos dois últimos anos - 60% de nacional e 40% do internacional. "Se houver mudança este ano deverá ser pequena. Em geral, os dois períodos de alta temporada (fim de ano e julho) aquecem o internacional, especialmente para destinos de neve e Disney, que atraem famílias e ambos são períodos de férias escolares", disse Geraldo Rocha, presidente da Abav Nacional.
"Tivemos momentos de instabilidade cambial importantes no ano passado, revertida no final do ano, e a projeção é de que a demanda reprimida dos meses anteriores se concretize em vendas para a alta temporada", afirmou.
Segundo o presidente, o mercado reagiu rapidamente nos momentos de maior instabilidade, intensificando campanhas e lançando mão de promoções. "Para viagens internacionais, por exemplo, as operadoras têm trabalhado muito com dólar congelado na data do fechamento, o que faz com que na conversão em reais e parcelado em dez ou 12 vezes a diferença de preço acabe diluída", explicou Rocha.
A crise não impediu o brasileiro de viajar, mas ele tem feito ajustes no orçamento, optando por destinos mais próximos e de curta duração. "Se dividiam a família em dois quartos agora podem ocupar apenas um, buscam hotéis mais acessíveis (de cinco para quatro estrelas), enfim, estão adaptando a viagem ao seu orçamento", afirmou.
PACOTES
Os pacotes com mais serviços incluídos - traslados, refeições, atrações, seguro viagem etc -, têm mais apelo, porque entra tudo em um mesmo orçamento, não há surpresa ao final da viagem, e o valor ainda pode ser diluído em parcelas.
Os pacotes de curta duração (fim de semana) são um filão que a Valentim Turismo, de Londrina, pretende intensificar o foco. "É um nicho que vem crescendo exponencialmente desde 2017", ressaltou Rodrigo Ferreira, gerente de vendas da agência. Atender a demanda reprimida de viagens internacionais também está nas metas da empresa para 2019.
A projeção da agência é crescer entre 7% a 11% em relação ao ano passado. "Tivemos uma demanda reprimida de passageiros com viagens internacionais por conta do câmbio e as incertezas políticas. Agora, com um norte sobre a situação econômica e política, o dólar apresentando estabilidade, acredito que o passageiro que não conseguiu fazer a viagem em 2018 fará em 2019", avaliou Ferreira.
A CVC teve crescimento de dois dígitos no último trimestre de 2018, comparado com o mesmo período de 2017. A performance do ano apresentou alta de 10,2%. Segundo a agência, os brasileiros incorporaram o hábito da viagem na cesta de consumo, mas de acordo com o seu orçamento. O destino dos sonhos estão sendo substituído pelo destino que cabe no bolso. Neste sentido, os destinos turísticos que oferecem a melhor relação custo x benefício ganham destaque.
Cerca de 60% da movimentação da operadora se refere à viagens dentro do Brasil e 40% para viagens ao exterior. Em momentos com alta do dólar essa movimentação gira em torno de 70% para destinos nacionais e 30% para destinos internacionais. Os destinos do Nordeste são mais procurados pelos londrinenses, principalmente Porto Seguro, Maceió, Fortaleza, Natal e Porto de Galinhas.


