Solução para embalagens de veneno
Solução para embalagens de veneno
Barracão de lixo tóxico a céu aberto, em Palotina. Governo tem alternativa mais segura para a perigosa relação do homem com os agrotóxicosA agricultura paranaense produz anualmente 2 mil toneladas de lixo venenoso, que precisa ser retirado do campo para não contaminar o meio ambiente. São 14 milhões de embalagens de agrotóxicos, de diferentes graus de toxicidade, usualmente guardadas em galpões sem proteção e, em alguns casos, lançadas ao ar livre. São perigosas para a saúde dos produtores e suas famílias e, às vezes, responsáveis por algumas das 100 mortes por contaminação por esses produtos registradas todo ano no Estado.
Como a prática do aterro, mesmo sob critérios rigorosos, não atende mais a realidade do Paraná, o governo do Estado criou o Programa Terra Limpa, que integra o ParanáSan e visa a dar uma destinação ambientalmente correta às embalagens de agrotóxicos usadas. Trata-se de um projeto das secretarias da Agricultura e do Abastecimento e do Meio Ambiente, desenvolvido como alternativa mais segura às perigosas soluções criadas por um grande número de produtores. Não são raros os casos em que eles enterram as embalagens de agrotóxicos sem nenhum critério, quando não as abandonam a céu aberto, as lançam nos rios e até as reutilizam para acondicionar água e alimentos.
Terra Limpa O Programa Terra Limpa, executado pela Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Meio Ambiente (Suderhsa), será lançado no próximo mês, envolvendo outras secretarias de Estado, entidades de classe, cooperativas e prefeituras. Segundo Enzo Bonetto, diretor de Saneamento Ambiental da Suderhsa, numa primeira fase serão cobertos 160 municípios - cerca de 40% da área do Estado -, a partir de 13 deles. Nestes, em local seguro, há barracões dotados de equipamentos para prensagem de plásticos e trituração de vidro. As unidades estão localizadas nos seguintes municípios: Cascavel, Colombo, Cornélio Procópio, Maringá, Morretes, Ponta Grossa, Prudentópolis, Renascença, São Mateus do Sul, Tuneiras do Oeste, Umuarama, Palotina e Santa Terezinha do Itaipu.
O Programa Terra Limpa é baseado na tríplice lavagem das embalagens de agrotóxicos, logo depois de utilizadas. A água deve ser limpa e trocada nas três lavagens, depois das quais é vertida no tanque do pulverizador de aplicação para posterior utilização na mistura de novo preparado. A tríplice lavagem é aprovada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e, de acordo com estudos já realizados, reduz a contaminação a traços ppm (partes por milhão) e até ppb (partes por bilhão).
Depois da tríplice lavagem, o produtor deve guardar a embalagem em um depósito seguro, não sem antes danificá-la para que não possa ser reutilizada. Para o recolhimento das embalagens em cada município, um técnico - da Emater ou da prefeitura - fará a verificação do material e seu cadastramento em formulário específico. Em seguida será anexada a nota fiscal de compra dos produtos e emitida uma autorização para sua entrega no município sede da unidade regional. O transporte será autorizado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Na Unidade Regional de Recebimento e Triagem, as embalagens de plástico serão prensadas e as de vidro, trituradas. Todo o material será depois vendido a indústrias cadastradas e o dinheiro obtido reverterá à manutenção do projeto.
Segundo Enzo Bonetto, diretor de Saneamento Ambiental da Suderhsa, o Programa Terra Limpa é de longo prazo e estará definitivamente implantado em todo o Paraná dentro de aproximadamente seis anos. Mas desde seu início já dará bons resultados, pois cada embalagem de agrotóxico a menos será menos um agente contaminador do meio ambiente, diz. De acordo com Bonetto, o investimento é relativamente reduzido, cobrindo a construção dos barracões, a compra de prensas e trituradores, o treinamento de pessoal e o gerenciamento do projeto. O importante é que que a responsabilidade pelo sucesso do Terra Limpa é estendida a toda a faixa de usuários, do produtor ao responsável pela venda do material, diz Bonetto. O Terra Limpa já conta com o apoio de entidades como a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná, Polícia Rodoviária, Universidade Federal do Paraná, Associação dos Engenheiros Agrônomos e Associação Nacional de Defesa Vegetal. (E.O.).





