Solução depende de investimentos de R$ 183,5 bi
Brasília - A solução dos problemas de todas as rodovias federais brasileiras demandaria investimentos de R$ 183,5 bilhões, segundo levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado ontem. Desse total, R$ 144,18 bilhões deveriam ser direcionados a serviços de recuperação, adequação e duplicação, enquanto outros R$ 38,49 bilhões deveriam ser investidos na construção e na pavimentação de pistas e outros R$ 830 milhões para as chamadas ''obras de arte'', termo usado pelos engenheiros para designar estruturas como pontes ou viadutos.
O levantamento do Ipea demonstrou que desses R$ 183,5 bilhões necessários para as rodovias federais brasileiras, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) só prevê investimentos equivalentes a 13% dessa demanda. Separando por serviços, o maior gargalo dos investimentos do PAC está na área de recuperação, adequação e duplicação.
Dos R$ 144,18 bilhões, que deveriam ser investidos nessa área, apenas R$ 9,75 bilhões estão contidos no Programa, o equivalente a 7% da demanda. ''O PAC é um avanço em relação ao que vinha sendo feito antes, mas ainda insuficiente para solucionar a situação da malha rodoviária brasileira'', disse o coordenador de infraestrutura econômica do Ipea, Carlos Alvares da Silva Campos Neto.
Segundo ele essas comparações estão sendo feitas com a primeira versão do PAC e não com o chamado PAC 2. Campos ressaltou que entre os investimentos previstos no PAC para rodovias, apenas 30% estão com o seu cronograma em dia. ''Mas os atrasos não se dão por falta de recursos, e sim por problemas administrativos, como licenciamento, falta de projeto e paralisações pelo Tribunal de Contas da União'', disse.
Segundo o estudo do Ipea entre 1999 e 2008 os investimentos públicos federais em rodovias cresceram 290%, mas mesmo assim, em 2008 ainda eram menos de 1% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo Campos, para chegar à conta dos 183 bilhões para resolver as rodovias, o Ipea se baseou em documentos oficiais como o próprio PAC, o Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT), elaborado pelo Ministério dos Transportes, as pesquisas rodoviárias feiras pela Confederação Nacional de Transporte (CNT) e entrevistas com agentes do setor privado. (L.G./AE)





