Solteiros desperdiçam mais alimentos
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terça-feira, 04 de setembro de 2007
Adriana Chiarini<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro- Os brasileiros que moram sozinhos compram em um ano 560,68 quilos de comida cada um, mais de 250 quilos acima do que as mulheres sem cônjuge e com filhos adquirem por pessoa da família, cuja média é de 309,4 quilos. Os solteiros que têm uma residência só para eles compram muito mais alimento também que a média dos casais com filhos, que é de 324,53 quilos. A quantidade adquirida pelos que moram sozinhos fica em mais de 1,5 quilo por dia e é bem superior da quantidade considerada ''sempre suficiente'' pela avaliação dos entrevistados na média da pesquisa, que foi de 378,32 quilos por ano por pessoa - ou um quilo ao dia.
Os dados constam do ''Perfil das despesas no Brasil'' divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), baseado na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) de 2002 e 2003 e se referem ao ano de 2003. ''As famílias com filhos conseguem ter mais racionalidade na compra de alimentos'', disse o gerente da POF do IBGE, Edílson Nascimento Silva. Isso se deve em parte ao fato de que é mais comum os alimentos serem vendidos em quantidades superiores às que seriam mais convenientes para o consumo de uma só pessoa e geralmente é mais barato comprar em quantidades maiores. Na prática, os dados indicam desperdício de comida.
Nas médias nacionais, a compra por mulheres com filhos e sem cônjuge foi inferior à quantidade ''sempre suficiente'' e mais próxima, embora acima, da apontada como ''às vezes insuficiente'', de 301,7 quilos. Esse tipo de família teve destaques negativos em relação à média nacional na aquisição de cereais e leguminosas (-15,1%), farinhas, féculas e massas (-19,7%) e carnes (-13,2%).
As mulheres sem cônjuge e com filhos nas áreas rurais adquirem comida em quantidade inferior à média considerada ''às vezes insuficiente'' por habitantes das mesmas áreas. Em 2003, a aquisição média por esse tipo de família foi de 327,59 quilos, menor do que a quantidade considerada ''às vezes insuficiente'' para as mesmas áreas, de 346,64 quilos. As pessoas nas áreas rurais informaram necessidade de comer mais que os das cidades. A quantidade que consideram como ''sempre suficiente'' é de 474,27 quilos, 30,5% superior a apontada pelas que habitam as cidades, de 363,43 quilos, mostrou a pesquisa.
De acordo com o IBGE, isso acontece por características diferentes entre o tipo de vida nas duas situações, como a maior atividade física nos trabalhos tipicamente rurais ; a produção própria de alimentos na área rural e a menor quantidade de restaurantes no interior. As pessoas que moram sozinhas nas áreas rurais adquiriram 90,1% mais carne que as das cidades. ''A pesquisa é pela compra, não pelo consumo. A pessoa pode morar sozinha e fazer um churrasco para os amigos'', disse o gerente da POF.


