Soja volta a subir no mercado internacional
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2004
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
Contrariando todas as previsões, a soja voltou a subir no mercado mundial e atingiu o maior preço internacional dos últimos sete anos. Em Chicago, o produto está cotado a US$ 18 por saca desde segunda-feira. No mercado interno não há modificações com relação à semana passada, a soja continua valendo R$ 46,00 no atacado. As informações são de Nagib Abudi Filho, diretor da corretora Investidor Global, de Londrina. Ao produtor, o preço médio praticado no Paraná, ontem, foi R$ 42,85.
A causa da explosão de preço foi o anúncio do relatório da USDA (departamento de agricultura dos Estados Unidos), que divulgou uma quebra de 930 mil toneladas na safra americana. A previsão inicial era que o país produzisse quase 80 milhões de toneladas. Problemas climáticos, porém, frustraram a safra que foi revista para 66,72 milhões de toneladas. Terminada a colheita, o USDA constatou que a produção foi de 65,8 milhões de toneladas.
''O estoque de passsagem, que já era pequeno, ficou ainda menor, puxando os preços de forma acentuada'', disse o analista. A conjuntura é favorável ao Brasil, que começa colher a soja e terá boas perspectivas de comercialização. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra nacional será de 58,7 milhões de toneladas, volume 12,8% maior que os 52 milhões de toneladas obtidos em 2003. O Paraná, que cultivou 3,9 milhões de hectares, deve colher 11,8 milhões de toneladas em 2004. O crescimento é de 8% com relação à produção do ano passado.
Segundo o engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), 92% das lavouras do Estado estão em boas condições. A colheita começa em meados de fevereiro.
Em seu último levantamento, o Deral constatou que 33% das lavouras estão em fase de desenvolvimento vegetativo; 43% em floração; 23% em frutificação; e 1% em maturação. ''Os números estão dentro do normal. Se o clima colaborar, a safra será muito boa'', analisou.
A única coisa que preocupa os agricultores é a chegada da ferrugem da soja ao Paraná. A doença se manifestou em alguns municípios mais altos, onde as noites frias favorecem a proliferação do fungo. Apesar da existência de focos da doença, Hubner garante que não há motivo para alarme. Em caso de suspeita de ferrugem, a recomendação é procurar a assistência técnica especializada. De acordo com o agrônomo do Deral, apenas o técnico tem condições de identificar a doença e prescrever o fungicida. ''Se o produtor resolver aplicar por conta pópria, pode ter aumento de custo desnecessário.''


