Soja valoriza 25% em julho com dólar e mercado externo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de julho de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A disparada no preço do dólar paralisou as negociações no mercado futuro da soja. Ontem, com o dólar fechando o dia a R$ 3,47, o mercado de soja ficou bastante nervoso, repetindo o que já havia acontecido anteontem. As operações se concentraram no mercado ''disponível'' e a soja foi vendida a R$ 40,00 a saca no Porto de Paranaguá. A cotação corresponde a um aumento de R$ 8,00 por saca só no mês de julho - informou Fernando Muraro, da Agência Rural de Notícias.
Já no mercado futuro, as negociações ficaram totalmente paradas. Não houve cotação da soja porque ninguém quer comprar nem vender. Na Bolsa Mercantil e de Futuros (BM&F), o dólar futuro foi cotado a R$ 3,095, praticamente a mesma cotação do dólar paralelo, comparou Muraro. Como ainda faltam 25% da safra 2001-2002 para serem exportados, os negócios para o mercado externo que estavam lentos, começam a reagir.
Só na última semana, foram negociadas mais de 100 mil toneladas de soja entre Ponta Grossa e Paranaguá. A desvalorização cambial no ritmo que está deve acelerar ainda mais as exportações, acredita Muraro. O problema é decidir quando autorizar as exportações. Só de anteontem para ontem a saca de soja teve valorização de R$ 3,00, passando de R$ 37,00 para R$ 40,00.
Só no mês de julho, a valorização no preço da soja, em função do câmbio e também da alta de preço no mercado externo, foi de 25%. ''Quem esperou até agora para autorizar as exportações de soja vai realizar um lucro jamais visto'', disse Muraro. Ele não tem dúvidas que no próximo ano vai ter uma explosão no plantio de soja no País.
Para o analista da Agência Safras e Mercados, Flavio França Júnior, o mercado de soja está vivendo uma situação inusitada que é a combinação de cotações na Bolsa de Chicago, nos EUA, e o dólar em alta. Para ele, a situação favorece as negociações tanto para a safra colhida como para a que vai ser plantada. França classificou o momento atual como ''ideal para a venda''. Ele justificou que é difícil prever quando o dólar vai parar subir. Ele teme que uma intervenção do governo possa fazer o mercado despencar.
França apontou a disparidade nas variações das cotações de soja no Paraná durante o dia de ontem. No Interior, os preços variaram entre R$ 35,00 a R$ 36,50 a saca. ''Essa diferença ocorreu em função da localidade e da hora em que foram feitas as negociações'', explicou.


