Soja transgênica vai para silo público
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de outubro de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba As cerca de 70 mil toneladas de soja armazenadas no Porto de Paranaguá, contaminadas com transgênicos, serão depositadas no silo público. Os operadores portuários terão que limpar os armazéns particulares para receber a soja convencional que começa a chegar. O acordo foi feito ontem durante reunião da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) e o Sindicato dos Operadores Portuários de Paranaguá (Sindop). Mas não houve definição sobre como a carga batizada será exportada.
Testes preliminares da Companhia Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar) indicaram presença de soja transgênica no volume total estocado no porto. De acordo com a assessoria de imprensa da Appa, o percentual de soja transgênica é muito pequeno, mas como está misturado com a tradicional, toda a carga - cerca de 70 mil toneladas - está condenada.
A exportação de soja transgênica pelo Porto de Paranaguá está proibida pela Lei Estadual nº 307 de 2003, sancionada pelo governador Roberto Requião (PMDB) na segunda-feira. Como é época de entressafra, havia já uma semana e meia que não eram feitos embarques de soja. Um navio com destino à Itália chegaria ontem em Paranaguá para ser carregado com soja, mas foi desviado para o Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina.
Por causa da exigência de certificação de transgenia, toda a carga de soja que está chegando a Paranaguá é convencional, informou a assessoria da Appa. O superintendente da Appa, Eduardo Requião, quer que as empresas limpem os armazéns para não haver novas contaminações de organismos geneticamente modificados. Ele volta a se reunir hoje com os operadores portuários para decidir como a soja estocada será exportada. Havia a possibilidade de exportar toda a soja como carga transgênica. Eduardo Requião também sugeriu que as 70 mil toneladas do grão fossem transportados para outro porto.
O diretor da área do complexo soja da Cargill, José Luiz Glaser, confirma que poderia haver organismos geneticamente modificados na carga da empresa. ''Não estávamos fazendo testes porque não havia nenhum impedimento, pelo contrário, há uma lei federal permitindo a comercialização'', relatou. Glaser disse que a soja em Paranaguá não precisa ser exportada como transgênica. ''Os compradores não se importam se é transgênica ou não'', observou. No entanto, ele criticou os testes feitos pela Claspar, porque a presença de organismos geneticamente modificados superior a 0,9% já indica a transgenia. ''Esse percentual pode ter em qualquer lugar'', disse.


