Soja transgênica terá mais resíduos
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de dezembro de 1998
Vânia Casado 
A soja transgênica que será produzida no país terá mais resíduos de agrotóxicos do que a soja convencional e o consumidor estará ingerindo um alimento com maior teor de produto químico. O alerta é do engenheiro agrônomo Reinaldo Onofre Skalisz, chefe do setor de fiscalização do receituário agronômico da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, ao destacar que o Ministério da Saúde aprovou o aumento em até 10 vezes a quantidade de resíduo de glifosato (Roundup) que pode permanecer na soja transgênica.
Na soja convencional o herbicida à base de glifosato só pode ser usado antes do plantio. E a tolerância máxima de resíduos nessa modalidade de plantio é de 0,2ppm (parte por milhão).
Segundo Skalisz, a probabilidade de aparecer resíduo é muito menor. Na soja transgênica ocorre o contrário, porque o glifosato é aplicado na parte aérea da soja e conforme portaria do Ministério da Saúde, a tolerância passa para 2ppm. Com isso, a probabilidade de permanecer resíduos é bem maior.
Para Skalisz, não fosse essa portaria do Ministério da Saúde, o plantio de soja transgênica no Brasil seria inviabilizado. Isso porque a quantidade de resíduos apresentados seria maior do que o permitido no plantio tradicional e certamente seria condenado, justificou.
Com a autorização do Ministério da Saúde, com certeza vai permanecer mais veneno na soja transgênica do que na soja convencional, emendou. Ele pergunta como ficam os programas sociais de prefeituras que distribuem leite, iogurte e bolachas feitas à base de soja que são fornecidas às crianças?
A portaria do ministério da Saúde que permite o aumento da quantidade de resíduos foi divulgada no Diário Oficial da União no dia 27 de novembro, mas já havia sido assinada no dia 6 de novembro pelo secretário de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, Gonzalo Vecina Neto.
Skalizs alertou para o fato de que toda alteração de tolerância de agrotóxicos nos produtos têm que ser publicadas no Diário Oficial com 30 dias de prazo para quem quiser se manifestar de forma contrária.
Com relação ao Glifosato, a consulta pública foi divulgada no D.O. do dia 28 de outubro. Mas no dia 27 de novembro quando foi divulgada, o edital revelou que a alteração foi aprovada no dia 6 de novembro, isto é antes de encerrar o prazo da consulta pública.


