Soja transgênica só depende de registro
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quarta-feira, 17 de março de 1999
Agência Estado 
O ministro interino da Agricultura Benedito Rosa do Espírito Santo, disse ontem que o Ministério deverá aprovar o registro da soja transgênica resistente a herbicida tão logo a Monsanto do Brasil apresente o pedido ao Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC). Ele explicou que o plantio comercial da soja já foi autorizado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão responsável pelo controle de produtos geneticamente modificados no País, e o Ministério da Agricultura não tem por que impedir a comercialização das sementes.
A Embrapa e as secretarias de Defesa Agropecuária e de Política Agrícola são favoráveis ao plantio, explicou. O diretor de Assuntos Corporativos da Monsanto do Brasil, Rodrigo Almeida, disse que a empresa deverá entrar com o pedido de registro no Ministério da Agricultura nos próximos 45 dias. Ele reiterou que a Monsanto mantém seus planos de comercializar a soja transgênica resistente a herbicida ainda este ano. Almeida explicou que a empresa retirou o pedido de proteção de cinco variedades da soja transgênica Roundup junto ao SNPC para complementar informações técnicas e agronômicas.
O pedido de proteção intelectual das variedades não tem nada a ver com o pedido de registro para a certificação das sementes. Almeida observou que o prazo legal para o pedido da proteção intelectual é de um ano e que a empresa vai cumpri-lo. Sobre a compra da Novartis pela Monsanto, disse que os executivos da empresa no Brasil não tem informações neste sentido.
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) também é favorável à comercialização da soja transgênica no País, segundo o chefe do Departamento de Comércio Exterior, Antônio Donizeti Beraldo. Ele explicou que a aprovação do plantio comercial pela CTNBio indica que não existem justificativas para proibir a entrada da nova variedade no mercado brasileiro.
Para Beraldo, os movimentos contrários à comercialização da soja transgênica são fruto da desinformação. Cientificamente não existe justificativa, e se esse movimento continuar o Brasil poderá perder competitividade. Dos três maiores produtores mundiais de soja, apenas o Brasil ainda não está plantando variedades transgênicas. Os Estados Unidos já estão com 54% da área cultivada com a soja geneticamente modificada e a Argentina com 60%. De acordo com Donizeti Beraldo a soja transgênica permite uma redução de 15% nos custos de produção e se a Europa quisesse mesmo comprar soja não transgênica do Brasil deveria pagar um ágio pelo produto, o que não ocorre. Eles continuam comprando soja dos Estados Unidos e da Argentina, pois o Brasil atende apenas 25% do mercado europeu.
A coordenadora do núcleo de biossegurança da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) e representante do Ministério da Saúde na CTNBio, Leila Oda, também defendeu o plantio comercial da soja transgênica, lembrando que ele foi aprovado por maioria absoluta na Comissão, apenas com voto contrário do órgão de defesa do consumidor. O que está acontecendo é uma desinformação generalizada, afirmou. Segundo ela, a avaliação científica da soja transgênica demonstrou que ela não adiciona nenhum risco quando comparada à soja tradicional. Não há nenhuma diferença do ponto de vista da saúde, assegurou.


