Soja transgênica prejudica exportações para a China
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sexta-feira, 12 de abril de 2002
João Baumer Agência Estado 
São Paulo - A exportação de soja para a China este ano deve transcorrer sem maiores obstáculos, embora muito provavelmente o volume de embarques deva cair em relação ao ano passado. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, que acaba de retornar da viagem à China e à Índia, em que integrou a comitiva empresarial que acompanhou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Sérgio Amaral.
De acordo com ele, os chineses são muito hábeis em manter em suspenso questões comerciais importantes, como a nova legislação para importação de transgênicos que vigora desde 20 de março. Esta nova lei não foi bem compreendida no mundo inteiro, nem bem explicada pelos autores, o que levou as autoridades chinesas a criar um período de transição, válido até 20 de dezembro, em que certificados de segurança temporários e genéricos serão aceitos para recepção de cargas importadas.
Como já se anunciava há algumas semanas, Lovatelli ouviu dos chineses a confirmação de que a soja brasileira entrará mediante certificados de segurança emitidos nos Estados Unidos e Argentina, apresentados pelas mesmas tradings que operam aqui no Brasil. Isto porque o cultivo comercial de transgênicos no Brasil é proibido, o que dispensa a necessidade de segregação e rastreamento de grãos e, portanto, de certificação.
Mas os brasileiros cultivam soja geneticamente alterada clandestinamente, que se mistura aos grãos convencionais, e passa agora a gerar um problema e uma corrida contra o tempo.
Se nós continuarmos nessa situação confusa em relação aos transgênicos até 20 de dezembro, com plantio proibido por lei mas consumado nos campos, o Brasil terá de certificar sua soja como 100% convencional, não-transgênica, abrindo brecha para que os chineses recusem nossas cargas se encontrarem os grãos transgênicos clandestinos, explica o dirigente.
O risco será verdadeiro, evidentemente, se os chineses não alterarem novamente as regras do jogo até o fim do ano. Até 20 de dezembro, de qualquer modo, os chineses prometem não destruir nem devolver cargas cujas amostras não correspondam ao que consta nos certificados temporários. Este produto será rotulado e terá destinação específica, provavelmente algo que não inclua alimentação humana ou animal, diz.
O presidente da Abiove chegou ontem a Brasília, onde se reúne com técnicos do Itamaraty para municiar o governo com informações sobre a crise econômica na Argentina e seus reflexos para os negócios do Brasil, como taxação para as importações de produtos básicos e semi-manufaturados do país vizinho, que concorre diretamente com os brasileiros no mercado de exportação do complexo soja.


