Curitiba – O uso de soja transgênica em larga escala causaria grande impacto negativo às exportações paranaenses. A afirmação é de entidades ligadas à agroindústria do Estado, que estão preocupadas com as recentes descobertas de lavouras de soja geneticamente modificadas.
Para as entidades, os casos comprovados pela Secretaria de Agricultura e do Abastecimento (Seab) ainda são poucos e por isso não causarão prejuízo imediato, mas são motivo de preocupação, já que na semana passada, a Comissão Especial sobre Transgênicos da Câmara aprovou projeto de lei que libera o uso desses produtos. A matéria agora está sob análise da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) divulgou ontem um comunicado, afirmando que há pressão para liberação do plantio de transgênicos, por causa de interesses econômicos dos fabricantes da soja transgênica. A semente de soja transgênica é produzida pela empresa norte-americana Monsanto, que tem filial no Rio Grande do Sul, onde é permitido apenas testes. ‘‘A participação dos Estados Unidos no mercado internacional de soja vem caindo, enquanto que a do Brasil vem aumentando, basicamente porque a nossa é tradicional, e a deles, transgênica’’, disse o assessor da Faep, Carlos Augusto Albuquerque.
Segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura), o Brasil produz cerca de 43 milhões de toneladas de soja, sendo que 28 milhões de toneladas (em farelo e grão) são exportadas. Nos Estados Unidos, esses números são de 78 milhões e 27,5 milhões, respectivamente. Cerca de 70% da soja desse país é modificada. As exportações brasileiras de farelo e grão de soja aumentaram quase 30% entre 1996 e 1999, sendo que no mesmo período as vendas externas norte-americanas caíram 6%.
Junto com o milho, a soja é o principal insumo para ração de aves e suínos. Segundo o presidente da Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Estado do Paraná (Avipar), as exportações de frango do Paraná cresceram nos últimos anos, em função da ração utilizada. ‘‘O Brasil sempre teve um diferencial importante, que é o de não utilizar produtos geneticamente modificados’’, afirmou o presidente da Avipar, Paulo Muniz. Ele disse que os casos de soja transgênica no Estado são poucos, mas preocupam porque podem causar impressão negativa nos mercados compradores.
O Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarnes) diz que a existência de lavouras transgênicas pode prejudicar as exportações de carne suína. ‘‘Temos medo que os importadores na Europa boicotem nossos produtos’’, disse o presidente do sindicato, Péricles Salazar. ‘‘São casos pontuais que acredito que a Seab vai conseguir eliminar’’, afirmou.

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