Soja transgênica ficará segregada em Ponta Grossa
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terça-feira, 09 de março de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governo federal já vem estudando a criação de uma estrutura para agilizar as exportações de grãos no Paraná desde novembro do ano passado. A idéia inicial era criar um redex, local para agilizar as exportações de grãos a partir do complexo de armazenagem da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), em Ponta Grossa. Com a impossibilidade de o governo federal declarar o Paraná como área livre de transgênicos, a idéia evoluiu para a criação de um porto seco nessa mesma estrutura, onde a carga vai sair alfandegada diretamente para os navios.
Segundo Jorge Argemiro Dias, superintendente da Conab no Paraná, a estrutura de Ponta Grossa está habilitada a receber e segregar a soja transgênica, para evitar congestionamentos no Porto de Paranaguá. ''A política da estação aduaneira de Ponta Grossa não será de apreensão da soja geneticamente modificada, mas sim de segregação para que a mesma possa ser escoada para outros portos'', explicou.
O complexo de armazenagem de Ponta Grossa tem capacidade de armazenagem para 420 mil toneladas de grãos, pondendo girar esse volume dez vezes durante o ano, o que corresponde a 30% da capacidade do Porto de Paranaguá, disse o superintendente da Conab do Paraná, Jorge Argemiro Dias. A estrutura é composto por oito silos e seis graneleiros para abrigar as cargas.
A localização do complexo é considerada privilegiada porque está às margens da BR-376, que liga o norte do Paraná a Ponta Grossa e nas imediações da BR-277, que faz a ligação com a região oeste do Estado. Além disso, tem à sua disposição um terminal da América Latina Logistica (ALL), que tem condições de fazer o transbordo das cargas alfandegadas para Paranaguá.
Esse projeto tomou forma ontem após audiência do governador Roberto Requião (PMDB) com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com o deputado Natálio Stica (PT), que estava acompanhando o governador, o presidente se comprometeu a acompanhar pessoalmente a instalação do porto seco de Ponta Grossa para evitar que a soja transgênica não seja transportada para o Porto de Paranaguá, para atender o pedido de Requião.
''Mas o presidente também não quer que essa soja transgênica fique parada'', disse o deputado. Por isso determinou um levantamento das estruturas dos portos de São Francisco (SC) e de Rio Grande (RS), para que sejam capacitados a exportar a soja transgênica.
De acordo com Stica, a conversa com o presidente foi mais tranquilizadora porque o governador obteve a garantia que a soja geneticamente modificada não será exportada por Paranaguá, o que descarta a possibilidade de uma intervenção federal no porto paranaense. Mas o fato é que o Paraná não pode ser declarado área livre de transgênicos em decorrência dos plantios de soja geneticamente modificadas no Estado.
De acordo com a Secretaria de Estado Agricultura e do Abastecimento, até agora foram encontradas 17 áreas com plantio de soja transgênica que somam 336 hectares. As lavouras foram encontradas nos municípios de Campo Mourão, Cascavel, Francisco Beltrão, Irati e Pato Branco.


