Soja transgênica entra no mercado brasileiro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de fevereiro de 1999
Mariangela Heredia Agência Estado 
A comercialização da soja transgênica resistente a herbicida no Brasil está dependendo apenas de um pedido de registro da nova cultivar no Ministério da Agricultura. Segundo técnicos do Serviço Nacional de Proteção de Cultivares, tão logo a multinacional Monsanto, que recebeu aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para a comercialização das sementes de soja modificadas geneticamente, apresente os documentos que comprovem o VCU (Valor de Cultivo e Uso) da nova cultivar, ela estará habilitada a vendê-la no mercado brasileiro.
A soja desenvolvida pela Monsanto será o primeiro organismo geneticamente modificado (OGM) a ser registrado no País e, de acordo com a empresa, as sementes poderão estar disponíveis para o plantio da próxima safra, em setembro. Mas o resultado recente de uma pesquisa feita pelo cientista Arpad Pusztai num laboratório da Escócia poderá tumultuar o processo de entrada dos transgênicos no mercado brasileiro, na avaliação de um dos integrantes da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A pesquisa do cientista demonstrou que produtos agrícolas geneticamente modificados poderiam de fato causar danos à saúde humana e levou o primeiro-ministro britânico Tony Blair a declarar, na semana passada, o cancelamento na entrada desses produtos no mercado inglês.
Para um dos especialistas da CTNBio, ao demonstrar que ratos alimentados com batata transgênica cresceram menos e tiveram a parede do estômago dilatado, além de se tornarem menos resistentes a infecções, o cientista Arpad Pusztai pode reabrir as discussões sobre os alimentos modificados geneticamente. Se ainda há dúvidas, é aconselhável fazer novos testes, admitiu o integrante da CTNBio. Ele explicou que a Comissão aprovou o pedido da Monsanto para comercialização da soja transgênica no Brasil a partir de estudos feitos em outros países durante vários anos e testes de cultivo local do vegetal. Pode ser que haja necessidade de a empresa fazer testes também com animais aqui no Brasil. Mesmo argumentando que os testes apresentados pela empresa já foram aprovados nos Estados Unidos e no Japão, onde há muito rigor na questão dos transgênicos, a fonte observa que a pesquisa apresentada na Grã-Bretanha demonstra que os resultados ainda não são seguros.
E observa que uma ação popular através do Ministério Público ou de órgãos de defesa do consumidor, ou ainda a manifestação contrária do Ministério da Saúde, responsável pela qualidade dos alimentos no País, poderia reverter o processo de entrada dos transgênicos no mercado este ano.


