Soja transgênica é transferida para silo público
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terça-feira, 04 de novembro de 2003
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba As empresas exportadoras de soja começaram ontem a transferir a carga dos armazéns privados do Porto de Paranaguá para o silo público. Cerca de 70 mil toneladas do grão estão contaminadas com soja transgênica e, por isso, terão de ficar em área segregada. Os pavilhões privados serão limpos para receber a soja convencional que está chegando a Paranaguá.
O superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, deve ir ao Paraguai hoje ou amanhã. Ele pretendia conversar ontem com o presidente paraguaio Nicanor Duarte, mas houve problemas de agenda. Eles vão negociar como poderá ser feito o escoamento da soja do Paraguai pelo Porto de Paranaguá. Os governos paraguaio e brasileiro têm um acordo para escoar a produção pelo porto paranaense, utilizando o armazém da Administración Nacional de Navegación y Puertos (ANNP).
A carga de soja contaminada deve estar no silo até o próximo dia 15, para ser exportada entre os dias 24 e 25. A carga será comercializada como transgênica. Se o embarque não ser feito até o dia 24, os operadores terão que retirar a mercadoria por caminhão e armazenar fora da área do porto. A negociação entre Appa e empresas foi feito na sexta-feira passada.
O acordo resolve o problema da soja plantada na safra passada, mas o governo estadual e a Appa ainda vão sofrer com o lobby dos transgênicos. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) criticam a obstrução da soja destinada às indústrias e a exportação pelo Porto de Paranaguá.
A Abiove e a Anec reclamam que a legislação estadual proibindo produção, comercialização, industrialização, importação e exportação de soja transgênica no Paraná pode prejudicar a comercialização da soja. De acordo com dados da entidade, foram escoadas 38% das exportações do complexo soja brasileiro em 2002 por Paranaguá, o que gerou US$ 2,3 bilhões. O governo de Mato Grosso do Sul também questiona a lei estadual do Paraná.


