‘‘Penso que se houver liberação de transgênico no Brasil, a soja convencional terá um valor agregado maior. Mas o agricultor consciente e planejador vai produzir uma área de transgênicos e outra com sementes convencionais’’, disse o presidente da Comissão Estadual de Sementes e Mudas do Paraná (Cesm-PR), Scylla Peixoto Filho, durante o primeiro dia do 20º Ciclo de Reuniões em Foz do Iguaçu, cujo tema principal é ‘‘A Biotecnologia e a Fome’’.
Em entrevista à Folha, Peixoto garantiu ainda que o país poderia manter a produção convencional e transgênica, deixando a escolha para os compradores internacionais. ‘‘Basta compararmos um cultivo produzido à base de agrotóxicos com a produção orgânica e verificarmos que há mercado para todos’’, comentou o coordenador do encontro, que conta com 200 participantes (entre técnicos, representantes do governo federal e produtores de sementes).
Questionado se haveria um consenso entre os ‘‘sementeiros’’, Scylla disse que eles ‘‘estão colhendo informações sobre o assunto’’, assim como o ministro da Agricultura está fazendo antes de aprovar ou não a liberação das sementes alteradas geneticamente no Brasil.
O presidente da CESM-PR deixou claro também que há plantações ilegais no Estado e que a fiscalização é difícil, mas contínua. ‘‘Com certeza existem plantios com sementes transgênicas no Paraná. Temos muitos agricultores aqui que possuem ‘‘raízes gaúchas’’, declarou Peixoto Filho, dando a entender que a migração deste produto estaria ocorrendo internamente e originando principalmente no Rio Grande do Sul, onde há registros de cultivo de soja transgênica.
Contrabandeadas da Argentina, estas sementes estariam sendo cultivadas também em Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás. O diretor da Associação Paranaense de Sementes e Mudas (Apasem), Ywao Miyamoto, confirmou a informação durante sua apresentação no encontro e lembrou ainda que o crescimento das lavouras clandestinas é preocupante. ‘‘Dentro de dois anos, a soja brasileira terá metade de suas áreas produzindo transgênicos.
Estima-se que 60% do próximo plantio de soja no Rio Grande do Sul estarão irregulares’’, divulgou Miyamoto, destacando ainda que ‘‘é imperativo que o agricultor aguarde os organismos credenciados até que liberem o cultivo da soja adaptada ao Brasil, o que estará plenamente
estabelecido até a safra de 2004’’.

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