Soja transgênica com DNA nacional é pesquisada
Em três anos uma patente brasileira de soja transgênica estará pronta para disputar mercado com a soja RR, da multinacional Monsanto. A oleaginosa, tolerante a herbicida, apresenta rendimento semelhante à RR e foi desenvolvida através de parceria com a Basf. A expectativa é que em 2010 o grão seja apresentado ao mercado para a produção de sementes e que no ano seguinte já esteja disponível para plantio. O projeto consumiu investimentos de cerca de R$ 8 milhões, que devem ser recuperados já no plantio da primeira safra.
Segundo o pesquisador Elíbio Rech, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, a parceria isenta a empresa brasileira de royalties. O acordo aliou a tecnologia nacional para a produção da soja ao uso das imidazolinonas (princípio ativo da Basf que tem aplicação semelhante ao glifosato). Ele explica que o produto é mais caro do que o da Monsanto, mas o plantio da soja transgênica nacional será compensado porque será necessária apenas uma aplicação, enquanto as lavouras de RR requerem duas.
A parceria foi firmada há dez anos, mas as brigas judiciais em torno das leis de biossegurança atrasaram os estudos em, pelo menos, três anos. Por isso, já em 2017 a patente da semente será quebrada, de acordo com as leis nacionais. ''A Basf pretende exportar essas sementes e, pela primeira vez, teremos no exterior um produto de tecnologia transgênica desenvolvido no Brasil'', afirma Rech.
Feijão - Também está em fase de pesquisa o feijão resistente ao vírus do mosaico dourado. No entanto, ao contrário da soja, ainda não há previsão para que a semente modificada chegue ao mercado. Neste caso, a tecnologia usada é o da RNA interferente, cuja patente pertence à universidades públicas. O pesquisador informa que o vírus chega a provocar perdas de 90% nas lavouras se as plantas forem atacadas em suas primeiras semanas de desenvolvimento. (F.M.)





