O plantio de soja transgênica vai ocupar 80% da área prevista com a cultura na Argentina, nesta safra 98/99. Não fosse a restrição dos países europeus para a compra do produto, o plantio seria de 100% da área, que na próxima safra deve atingir 7,5 milhões de hectares, disse o extensionista do INTA (Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária), Oscar Keller.
O avanço do plantio de soja e milho, em áreas que antes eram ocupadas pela pecuária, a incorporação de tecnologia e a alta fertilidade do solo explicam o aumento significativo da produção de grãos na Argentina.
O plantio comercial de soja transgênica começou com 500 hectares em 1995. Entre as safras 96/97 e 97/98, a área ocupada cresceu 10% e este ano está ocorrendo um ‘‘boom’’ em função da queda nos custos de produção. No plantio convencional de soja, o custo está avaliado entre 1.000 e 1.300 quilos por hectare.
No plantio transgênico, o custo cai para 800 quilos por hectare. Contribui para essa queda o preço do herbicida na Argentina, que é 30% mais barato que no Brasil. Como a cotação do grão no mercado está em US$ 200 a tonelada, Keller calcula que o agricultor argentino tem uma sobra líquida mínima que varia de US$ 150 a US$ 200 por hectare, excluindo os 15% de comercialização, onde são pagas despesas com frete e vendas. Keller considera um bom rendimento se levar em conta que está aumentando a produção em escala com a incorporação das pequenas pelas médias e grandes propriedades.
Apesar dos protestos de organizações não-governamentais, os argentinos não demonstraram preocupação com a comercialização da soja transgênica no mercado internacional. Segundo Keller, até agora o produto não enfrentou problemas de comercialização e os produtores argentinos não acreditam que isso vá ocorrer. ‘‘ Nada indica até o momento que os embarques de soja para a Europa serão impedidos e até a Alemanha está recebendo soja transgênica’’, afirmou.
Por enquanto os próprios produtores estão fazendo a reprodução da semente transgênica por conta própria, já que ela custa 50% mais caro no mercado. No entanto, o técnico acredita que no curto prazo, as empresas que detêm a tecnologia vão apresentar as primeiras variedades com genes que inibem a possibilidade da reprodução
Produtividade Com a incorporação de tecnologia o rendimento da soja pulou de 1,8 kg por hectare para 2,2 kg por hectare na última década. Na província de Santa Fé, onde os produtores aderiram à rotação de culturas, a produtividade é maior, em torno de 2,4 kg por hectare.
O maior rendimento dos grãos está animando os produtores a investir mais em agricultura, setor que está crescendo entre 5% e 10% ao ano, na década de 90, informou Keller.
Por outro lado, os produtores argentinos são favorecidos pela fertilidade dos solos, rico em fósforo que dispensa o uso de fertilizantes na soja, por exemplo. Para o milho, trigo e sorgo é necessária a aplicação do insumo, mas em doses pequenas disse o técnico.
A fertilidade natural, o melhor manejo de solo e água, com rotação de culturas e o uso de novas variedades mais resistentes a doenças são os fatores que estão elevando a produtividade da soja, justificou Keller.

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