Porto Alegre - O presidente da Monsanto do Brasil, Richard Greubel, apresentou ontem quatro tecnologias transgênicas em desenvolvimento pela empresa para a produção de sementes, durante palestra na Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul). A companhia trabalha na pesquisa de variedades tolerantes a seca, ferrugem e lagarta da soja e também com alto teor de ômega 3.
Ele explicou que o lançamento de uma nova tecnologia demora entre oito e dez anos, entre a descoberta do gene e a introdução comercial da semente. O processo tem cinco fases e o custo de cada tecnologia foi estimado entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões pela Monsanto. A pesquisa para agregar tolerância a estiagem - que pode ser aplicada a várias culturas, como soja, milho ou canola - está na fase 2 e o lançamento comercial deve ser feito até o final da década em pelo menos um país, previu o executivo.
Questionado sobre o plano para introduzir comercialmente esta variedade, ele observou que Estados Unidos, Canadá e Austrália (para o algodão) são países onde os sistemas regulatórios estão bem esclarecidos. O desenvolvimento da tecnologia resistente à ferrugem da soja está na fase 1 e sua conclusão vai levar mais de dez anos, disse Greubel. A lagarta da soja não existe nos Estados Unidos e, portanto, o desenvolvimento do produto é voltado para a América do Sul. A tecnologia é semelhante à do miho BT, explicou Greubel.
Ao comentar se estas variedades serão também resistentes ao glifosato (RR), Greubel explicou que a experiência tem demonstrado que os produtores buscam várias tecnologias combinadas na mesma variedade. ''O produtor não quer plantar só uma versão de RR ou protegida de insetos (BT)'', afirmou. Esta combinação dá ao produtor uma espécie de seguro contra pragas e seca, exemplificou. ''Vamos cobrar por todas estas tecnologias e nossa experiência é de que o produtor está disposto a pagar'', declarou. ''O valor criado pelas tecnologias é muito maior que o custo delas.'' Segundo o executivo, a maior parte do valor adicionado pela tecnologia fica com o produtor. O ganho decorre da substituição de defensivos.
Milho - A importação de milho transgênico da Argentina, para suprir a redução da oferta interna, vai demonstrar o benefício da tecnologia na redução de micotoxinas presentes no grão, analisou o presidente da Monsanto. Ele fez o comentário ao responder a uma pergunta do público sobre o uso dos transgênicos nas rações, como é o caso do milho, que será importado para abastecer as indústrias avícolas.

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