Soja tem maior área na história do PR
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segunda-feira, 04 de agosto de 1997
Vânia Casado Curitiba 
PArquivoProjeção confiávelOrtigara: milho perde em área e produtividade: produtores tecnificados migram para a soja Confirmado o crescimento de 10,66% na área ocupada com soja na safra 97/98. Serão plantados 2.750.000 hectares, a maior área já ocupada desde que plantio em escala se intensificou a partir de 1975. A área de milho cai 15,74% e pode comprometer o abastecimento do grão para as indústrias. Será a principal responsável pela queda da produção de grãos na safra de verão.
A previsão é da Secretaria da Agricultura que ontem divulgou o primeiro quadro de intenção de plantio da safra 97/98, que começa a ser plantada. Considerando os 14 principais produtos da safra de verão, a área ocupada cresce 0,64%, passando de 5.486.000 ha plantados no ano passado para 5.521.000 ha, este ano. Mas a produção de grãos não deve crescer nessa mesma proporção. Pelo contrário, a produção de grãos deverá cair cerca de 3%. Na safra anterior foram colhidas 13.978.000 toneladas de grãos e esse ano a previsão aponta para uma colheita de 13.553.000 t. Só em milho o Paraná deverá perder 1,3 milhão de t, equivalente ao consumo industrial.
Para Norberto Ortigara, diretor do Deral, a queda na produção de grãos será compensada com a elevação de 2% na produção geral de todas as culturas, passando de 41.598.000 t na safra passada para 42.460.000 t nesta.
Com a opção do produtor em ampliar a soja, a projeção do Deral aponta para uma produção de 7 a 7,6 milhões de t, também a maior de todos os anos. Segundo Ortigara, o produtor está embalado no mercado favorável do grão, que permitiu bons preços no ano passado e no primeiro semestre desse ano, quando a saca de soja chegou a R$ 15,60, em média. Mesmo que a perspectiva de preços para 1998 não sejam tão favoráveis como na safra passada, com a recomposição dos estoques internacionais, o produtor está apostando no grão em função do rendimento ser maior que o milho.
Hoje a relação de preço está na proporção de 2,5 vezes maior que o preço do milho. Se cair para 1,9 a 2,0 vezes ainda assim é vantagem produzir soja, afirma Ortigara em função da produtividade alta que está sendo esperada, em torno de 2.660 kg/ha. Para obter a mesma renda bruta da soja, o produtor de milho precisa colher acima de 5.300 kg/ha, mas a perspectiva atual aponta para uma produtividade de 3.550 kg/ha de milho. Outra vantagem que influiu na opção do produtor pela soja é a despesa de instalação da lavoura no plantio direto que dá uma diferença de R$ 170,00 a menos para o produtor de soja.
A área do milho cai de 1.819.400 ha na última safra para 1.533.000 ha. A produção estimada varia entre 5,2 e 5,7 milhões de t. A produtividade que está sendo esperada, da ordem de 3.550 kg/ha é inferior à obtida na safra passada que alcançou 3.722 kg/ha em função de que os bons produtores milho, que investem na cultura estão migrando para a soja.
Algodão O algodão deverá ser beneficiado com o programa de apoio à cultura. A Seab informa que vai apoiar com recursos a fundo perdido a expansão da cultura no limite de 250.000 ha. Mas a previsão atual aponta para um plantio de 92.000 ha, 54,1% mais que a safra passada (59.700 ha). A estimativa será ampliada até o fim de setembro quando começa o plantio em função de que os produtores ainda estão analisando as ofertas de crédito oferecidas.
Feijão O Deral está prevendo um crescimento de 1,28% para o plantio da safra das águas. A produção passa das 376.000 t no ano passado, para 440.000 t este ano. A batata das águas deverá ter uma queda de 11,11% na área plantada em função da redução do plantio na região metropolitana de Curitiba, onde o setor batateiro está em crise, com dívidas e não consegue captar recursos para investir na modernização do sistema de cultivo.


