Soja tem alta inesperada em Chicago
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quarta-feira, 02 de abril de 1997
Vânia Casado Sucursal de Curitiba 
As cotações de soja tiveram uma elevação acentuada, ontem, subindo quase 30 pontos na Bolsa de Chicago, para os contratos de maio, passando de US$ 8,55 por bushel, no dia 27 de março para US$ 8,83 por bushel, no último fechamento. Os reflexos no mercado interno foram imediatos. No interior do Paraná, a soja foi negociada entre R$ 17,30 e R$ 17,60 a saca, subindo em média R$ 1,00, em relação ao final de março.
Esta situação é totalmente atípica, em que o preço da soja atinge o pico, em pleno período de colheita, afirmou Flávio Roberto França Júnior, analista da agência Safras & Mercados, de Curitiba. Os fatores de alta foram provocados pela superavaliação dos estoques americanos. Segundo o último relatório do USDA divulgado no dia 31 de março, os estoques de soja nos EUA foram avaliados em 28,7 milhões de toneladas e o mercado esperava 29,8 milhões de toneladas.
Na verdade, desde o início do mês as cotações de soja já vêm em ritmo de alta, em função da frustração nas expectativas dos estoques americanos. Mas ontem, as cotações deram uma nova arrancada, o que sinaliza a permanência de um período extremamente nervoso e de muitas oscilações no mercado, salientou França.
Outros fatores, no mercado interno, estão contribuindo para o nervosismo do mercado. França apontou a greve no porto de Santos, iniciada, ontem, dificultando as exportações. Para agravar a situação, os portuários paulistas ameaçam estender o movimento para os demais portos do país na sexta-feira, inclusive Paranaguá, responsável pelos embarques de soja do Paraná.
Além disso, estão sendo confirmadas perdas nas safras de soja do Rio Grande do Sul e da Argentina, provocadas pela estiagem no mês de março, complicando ainda mais a situação. A colheita na região Sul ocorre mais tarde, e a falta de chuvas prejudicou a formação de grãos, que nessa fase precisa de umidade. Segundo informação da Safras e Mercado, a Emater gaúcha divulgou estimativa de redução de 400 mil toneladas na safra de soja do Rio Grande do Sul. França acredita que as perdas poderão ser maiores ainda.
Para França, o ritmo de alta nas cotações de soja tende a permanecer no curto prazo. Ele prevê que o mercado vai se manter apertado, pelo menos até outubro, quando iniciar o período de colheita da safra americana, isto se não houver complicações de clima até lá.


