As cotações de soja tiveram uma elevação acentuada, ontem, subindo quase 30 pontos na Bolsa de Chicago, para os contratos de maio, passando de US$ 8,55 por bushel, no dia 27 de março para US$ 8,83 por bushel, no último fechamento. Os reflexos no mercado interno foram imediatos. No interior do Paraná, a soja foi negociada entre R$ 17,30 e R$ 17,60 a saca, subindo em média R$ 1,00, em relação ao final de março.
Esta situação é totalmente atípica, em que o preço da soja atinge o pico, em pleno período de colheita, afirmou Flávio Roberto França Júnior, analista da agência Safras & Mercados, de Curitiba. Os fatores de alta foram provocados pela superavaliação dos estoques americanos. Segundo o último relatório do USDA divulgado no dia 31 de março, os estoques de soja nos EUA foram avaliados em 28,7 milhões de toneladas e o mercado esperava 29,8 milhões de toneladas.
Na verdade, desde o início do mês as cotações de soja já vêm em ritmo de alta, em função da frustração nas expectativas dos estoques americanos. Mas ontem, as cotações deram uma nova arrancada, o que sinaliza a permanência de um período extremamente nervoso e de muitas oscilações no mercado, salientou França.
Outros fatores, no mercado interno, estão contribuindo para o nervosismo do mercado. França apontou a greve no porto de Santos, iniciada, ontem, dificultando as exportações. Para agravar a situação, os portuários paulistas ameaçam estender o movimento para os demais portos do país na sexta-feira, inclusive Paranaguá, responsável pelos embarques de soja do Paraná.
Além disso, estão sendo confirmadas perdas nas safras de soja do Rio Grande do Sul e da Argentina, provocadas pela estiagem no mês de março, complicando ainda mais a situação. A colheita na região Sul ocorre mais tarde, e a falta de chuvas prejudicou a formação de grãos, que nessa fase precisa de umidade. Segundo informação da Safras e Mercado, a Emater gaúcha divulgou estimativa de redução de 400 mil toneladas na safra de soja do Rio Grande do Sul. França acredita que as perdas poderão ser maiores ainda.
Para França, o ritmo de alta nas cotações de soja tende a permanecer no curto prazo. Ele prevê que o mercado vai se manter apertado, pelo menos até outubro, quando iniciar o período de colheita da safra americana, isto se não houver complicações de clima até lá.

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