Soja sem enzima facilita consumo e reduz custos
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quarta-feira, 15 de agosto de 2001
Ana Paula Nascimento<BR>De Londrina 
A Embrapa Soja, em Londrina, lançou ontem duas variedades de soja BRS 213 e BRS 216 , que pretendem contribuir diretamente para o aumento do consumo humano desse alimento. Sem as enzimas que caracterizam o sabor da soja, as novas variedades potencializam o uso da soja pela indústria alimentícia que não terá mais gastos para desativar as enzimas para obter um produto final mais agradável ao paladar humano. O lançamento ocorreu durante a 23 Reunião de Pesquisa de Soja da Região Central do Brasil, que acontece em Londrina de 14 a 16 de agosto.
''Essa pesquisa de melhoramento genético, por método tradicional, foi desenvolvida pela Embrapa nos últimos 10 anos e o produto deverá estar no mercado em um ano'', informou a pesquisadora Mercedes C. Carrão Panizzi, que participou do evento, ontem, ministrando palestra sobre ''benefícios da soja para a saúde humana''.
Mercedes salientou que o consumo de soja é a grande arma preventiva contra diversos tipos de câncer, como o de mama e de colo de útero, e doenças cardiovasculares. Entre as substâncias benéficas da soja para a saúde humana, a isoflavona é a grande vedete, que também ajuda a amenizar os sintomas de menopausa.
''O ideal é que cada pessoa ingira cerca de 50 mg de isoflavona por dia e isso pode ser adquirido em 100 gramas de tofu, um tipo de queijo de soja'', explicou a pesquisadora que reforçou que o ideal é que as pessoas consumam alimentos à base de soja, e não somento o composto isolado em cápsulas manipuladas em laboratórios farmacêuticos. '''É necessário um efeito conjunto das substâncias da soja, como as proteínas, para se conseguir os benefícios'', ressaltou.
A indústria ainda não utiliza em grande escala o processamento de alimentos à base de soja, mas a pesquisadora acredita que as pessoas estão tendo mais acesso a informações sobre os benefícios do grão e que o consumo tende a aumentar. ''Antes o preconceito era maior, todos achavam que os alimentos de soja teriam um gosto ruim. Hoje a tecnologia de alimentos está mais avançada e com as novas variedades, sem as enzimas, o potencial comercial vai ser ainda maior'', destacou Mercedes.
Outro aspecto de utilização dessas novas variedades, destacado pela pesquisadora, é na agricultura orgânica. ''Além da soja sem aditivos químicos, o agricultor estará produzindo um grão com alto valor agregado'', destacou.
Soja/NASA Um novo método de secagem de grãos, com ar desidratado e na temperatura ambiente, foi apresentado pelo pesquisador Francisco Carlos Krzyzanowski, ontem, na Reunião. O sistema foi adaptado de tecnologia desenvolvida para a NASA pela empresa norte-americana Advanced Dry System (ADS), enquanto Krzyzanowski desenvolvia trabalho de pesquisa na Universidade da Flórida, EUA. A grande vantagem do sistema, segundo o pesquisador, é permitir que se trabalhe com temperaturas mais baixas, evitando colocar em risco as propriedades da semente. O teste industrial da nova metodologia será feito na próxima safra de soja, na Embrapa Soja, em Londrina.


