A escassez de petróleo no mundo abre um novo mercado potencial para a soja. De acordo com o pesquisador Amélio Dall'Alagnol, da Embrapa Soja, em Londrina, a oleaginosa pode substituir a matéria-prima em praticamente toda sua utilização industrial. Ele falou sobre o tema ontem no painel ''Soja: uma jóia brasileira'', na 44 Exposição Agropecuária e Industrial.
Hoje, menos de 1% da soja mundial é utilizada para fins industriais, mas a atividade continua crescendo: apenas nos Estados Unidos, o número de empresas do setor cresceu de 110 para 250 entre 2001 e 2003. Lubrificantes, óleos para motores, isolantes, plásticos, materiais de limpeza, produtos de higiene pessoal, velas e antibióticos, entre inúmeros exemplos, podem ser fabricados a partir da soja.
A viabilidade da produção depende do custo do grão. ''Hoje, o petróleo é imbatível. Trata-se, porém, de um produto finito. Além disso, não sabemos até quando a atmosfera vai suportar as emissões de gás carbônico derivadas do petróleo'', comentou, acrescentando que a soja, apesar de emitir o gás carbônico quando utilizada industrialmente, também sequestra o poluente enquanto está na lavoura.
O pesquisador comentou que, atualmente, o produto com maior potencial de uso é o biocombustível produzido a partir da oleaginosa. ''A exemplo do álcool, a produção deveria ser subsidiada pelo governo, já que geraria muitos empregos nas indústrias e no campo'', opinou.

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