Soja pode bater recorde na safra verão 2013/14
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sexta-feira, 06 de setembro de 2013
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
As culturas de soja e feijão devem ganhar ainda mais espaço na safra de verão 2013/14 do Paraná, de acordo com a primeira estimativa divulgada ontem pela manhã pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab). Os bons preços das duas culturas aliado a uma série de fatores que influenciam os mercados interno e externo animaram os produtores dos grãos. Com o aumento da área e de produção das duas commodities, o milho deve perder espaço, como já vem acontecendo habitualmente nas primeiras safras nos últimos anos no Estado.
No total, somando todas as culturas, a área plantada paranaense deve crescer 0,3%, o que corresponde a uma incorporação de quase 19 mil hectares a mais em relação à safra anterior. A área de plantio salta de 5,80 milhões hectares para 5,82 milhões de hectares. O volume de produção poderá atingir 22,6 milhões de toneladas, cerca de 3,6% menos que no mesmo período da safra passada (2012/13), que chegou a 23,4 milhões de toneladas.
De acordo com o chefe de conjuntura do Deral, Marcelo Garrido, a incorporação de 19 mil hectares para a plantio de verão é importante, pois as fronteiras agrícolas do Paraná já se encontram "no limite". Em relação à diminuição na produção, isso se deve pelo milho acabar sendo pelo menos 2,5 vezes mais produtivo que a soja. "Como ele perdeu espaço, a produção total acabou caindo. Estimamos que a produtividade da soja fique em 3,33 toneladas por hectare, o milho em 8,3 toneladas por hectare e o feijão 1,84 toneladas por hectare", comparou.
Garrido explicou ainda que a elevação nas cotações da soja nos últimos dois anos estimulou os produtores a ampliarem as áreas de cultivo. A previsão para a primeira safra 2013/14 é de 4,85 milhões de hectares de soja, um crescimento de 3,6% em relação à temporada anterior. A perspectiva de produção é de 16,13 milhões de toneladas, superando o recorde em 2% dos 15,82 milhões de toneladas da safra 2012/13. A quebra na safra americana de grãos no ano passado, a redução na produção de soja na América do Sul na safra 2011/12 e a alta demanda, principalmente da China, está mantendo as cotações da oleaginosa em patamares elevados, em torno de R$ 65 a saca.
Se o preços da soja estão estáveis, o valor da saca de milho está recuando. O economista do Deral explica que "a boa safra americana e a segunda safra brasileira deixaram o produto em abundância no mercado". O plantio deve ficar em 711 mil hectares, redução de 18,9%. Já a produção tem estimativa de 5,9 milhões de toneladas, queda de 17%. "Já está se tornando recorrente: o produtor aposta na soja no primeiro semestre e no milho no segundo semestre", avaliou Garrido.
Por fim, a produção de feijão da próxima safra de verão poderá atingir 426,8 mil toneladas, um aumento de 29% ou 97 mil toneladas a mais do que na safra 2012/13. Segundo o levantamento do Deral, a opção pelo aumento de área em 7,6% se deve aos preços recebidos pelos agricultores, considerados satisfatórios.
No mês de agosto, a cotação da saca do feijão preto atingiu R$ 136, 42% acima do preço médio alcançado no mesmo período de 2012, quando estava em R$ 96. Já o feijão de cor fechou em agosto a R$ 138 a saca, 24% acima dos R$ 96 do ano passado.



