Soja perde receita da venda antecipada
ArquivoCalmo demaisProdutores esperam um ano calmo nas vendas de soja: muita oferta Este ano a venda antecipada de soja não deverá repetir o volume de vendas registrado no ano passado quando 40% da safra já estava comprometida na época da colheita. Se no ano passado, neste mesmo período, cerca de 15% da safra brasileira já estava vendida antes mesmo de ser plantada, este ano não chega a 10%, arrisca o analista Flávio França Júnior, da agência Safras e Mercados, de Curitiba.
Ocorre que este ano a negocia
ção dos dois lados, compradores e vendedores, está menos agressiva em relação ao ano passado. França explica que na safra passada havia maior interesse do mercado porque os compradores sabiam da possibilidade de escassez de oferta no mercado internacional e que esse quadro resultaria em dificuldades com o abastecimento. Este ano, ao contrário, os compradores estão mais tranquilos em relação ao abastecimento, em consequência da supersafra que está sendo colhida nos EUA e com o aumento de área com a cultura previsto na América Latina.
Do lado do vendedor, o ímpeto de negociação também é menor, analisa. Ele explica que as cotações para venda antecipada em torno de US$ 13,70 a US$ 13,80 a saca para entrega em março, estão inferiores aos preços que predominaram durante toda a safra passada e por isso o produtor não se sente muito interessado em vender agora, justificou.
França Júnior ressalva que no Paraná a comercialização antecipada de soja deve ter um comportamento melhor em relação à região Centro-Oeste do País, em função do estilo de venda diferente. Segundo França, aqui as cooperativas e comerciantes intermediários vendem para exportação e se cobrem com a compra antecipada junto aos produtores.
O analista explica que são várias as modalidades de venda antecipada, sendo que o modelo de fixação de preços agora, para pagamento e entrega futura concentra maior volume de negócios. Já na região Centro-Oeste é muito comum o modelo troca-troca que compromete a lavoura que será plantada em troca de insumos e defensivos. E ainda tem as vendas através de leilão eletrônico (CPR) do Banco do Brasil, que estão em ritmo de crescimento.
A venda de soja verde para entrega em abril de 1998 foi cotada a R$ 14,85 a saca no leilão de CPR realizado na última quarta-feira. O valor máximo conseguido até agora em leilão foi R$ 15,10 a saca. Desde que o leilão eletrônico para venda antecipada de soja foi iniciado no dia 6 de outubro já foram negociadas 6,1 mil toneladas de soja em CPR no valor de R$ 1,5 milhão informou Bruno Schauff, gerente de crédito rural do Banco do Brasil. A maior parte das transações ocorreu na região de Ponta Grossa.
Para o produtor, a venda de soja em CPR é uma forma de levantar recursos para financiar a lavoura, apontou Schauff. Outra vantagem é que o produtor tem o preço fixado do produto antes de iniciar o plantio e com isso pode assegurar um bom momento para a cultura, como está ocorrendo agora. A CPR é um título cambial aberto às pessoas físicas e jurídicas, sendo que o BB assume o risco da cultura quando negocia a compra do papel do produtor. Em caso de frustração de safra o banco garante o pagamento em produto para a instituição detentora dos títulos, que tem a garantia de não sofrer nenhum prejuízo.
O preço negociado nos leilões da CPR é totalmente repassado ao produtor, livre do pagamento da contribuição previdenciária que é de 2,7%. Quem paga a taxa é o comprador. O BB cobra uma taxa de intermediação que é negociada de acordo com o volume vendido e as taxas de risco que envolvem a operação.





