Soja paraguaia está encalhada
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sábado, 18 de setembro de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Com a decisão do governador Roberto Requião (PMDB) em não permitir a exportação de soja transgênica pelo Porto de Paranaguá, o Paraguai está amargando um prejuízo de US$ 132 milhões com a perda de 30% dos contratos de vendas no exterior. O Paraguai planta soja transgênica e, para escoar a produção sem recorrer ao porto paranaense como fazia tradicionalmente, teve que recorrer à hidrovia pelo Rio Paraguai, via Argentina e Uruguai, para escoar a produção para o mercado externo.
Ocorre que essa logística tem capacidade limitada e cerca de 600 mil toneladas de soja geneticamente modificada ficaram encalhadas no Paraguai, porque os exportadores não conseguiram escoar a produção, disse ontem Sonia Tomassoni, gerente da Câmara Paraguaia de Exportação de Cerais e Oleaginosas. A preocupação é que os silos paraguaios estão abarrotados de soja da safra passada e está chegando a época de plantio de nova safra e o País não sabe o que fazer com esses estoques.
Além do encalhe do produto, a soja exportada por hidrovia custou US$ 20 a mais por tonelada em decorrência do aumento de custos. Segundo Tomassoni, as barcaças no Rio Paraguai têm capacidade para escoar de 1,5 a 2 milhões de toneladas por ano. E a produção de soja este ano no País foi de 3 milhões de toneladas. Parte da produção que não foi escoada pela ferrovia foi transportada por ferrovia pelo Porto de São Francisco (SC) ou Santos (SP).
Essa operação também foi limitada pela dificuldade dos caminhões carregados com soja transgênica passarem pela aduana na divisa do Paraguai com o Paraná, disse Tomassoni. Segundo ela, é impossível transportar soja paraguaia por outro estado brasileiro por falta de estrutura. A executiva paraguaia disse que os caminhões com soja paraguaia até transitam pelo Paraná, mas disse que a fiscalização sobre eles é tão intensa e morosa que muitos exportadores simplesmente deixaram de enviar a produção.
A situação já provocou constrangimentos ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando o presidente paraguaio Nicanor Duarte Frutos pediu por duas vezes sua interferência junto ao governador. Segundo Tomassoni, o governo paraguaio já formalizou através da embaixada no Brasil, pedidos junto ao Ministério da Agricultura para que o Paraguai possa exportar a soja transgênica pelo Porto de Paranaguá. Nenhuma solução foi encontrada. De acordo com Tomassoni, Lula teria respondido ao presidente paraguaio que não poderia fazer nada contra o governador do Paraná.
Com isso, a situação no Paraguai é catastrófica, disse a executiva da Câmara Paraguaia de Exportação. Tomassoni afirma que o País só vive da exportação de soja e carnes, e quando uma dessas operações fracassa todo o povo paraguaio paga a conta. ''Quando não há dinheiro, é o caos'', disse ela em entrevista à Folha.


