Soja orgânica ganha espaço no Oeste
Paulo Pegoraro
De Cascavel
A produção de soja orgânica, sem produtos químicos, vai ganhando espaços no Oeste paranaense, a partir de experiências de pequenos e médios agricultores. Eles estão obtendo expressiva renda, com o produto sendo exportado para países nos quais alimentos naturais são cada vez mais valorizados. Entre os que produzem a soja orgânica estão agricultores que tiveram terras alagadas pelo reservatório da hidrelétrica de Salto Caxias, da Copel, no Rio Iguaçu, reassentados há 2 anos em Cascavel, e ex-sem-terra assentados em São Pedro do Iguaçu.
O plantio da soja orgânica é estimulado pela Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi), que defende práticas alternativas na produção agropecuária. O presidente da Crabi, José Uliano Camilo, observa que o mercado é garantido, em países onde parcela considerável da população recusa alimentos produzidos com uso de agroquímicos. Os reassentados recebem orientação de uma empresa especializada em orgânicos, a Terra Preservada, de Capanema (sudoeste do Estado), a quem entregam a soja para exportação, para Suíça, Bélgica, Japão e outros países.
Nesta safra, 29 reassentados destinaram em média 1 alqueire à leguminosa. Eles utilizaram o baculovirus para controle biológico da lagarta-da-soja, e conseguiram evitar adequadamente lagartas e percevejos. A resistência das plantas à alterações climáticas foi superior ao que ocorre nas lavouras convencionais. Foi empregada mais mão-de-obra, mas isso não onerou os custos, porque ela é familiar. Os produtores estão recebendo US$ 12,50 (R$ 21,80) por saca, enquanto a convencional estava cotada durante a semana em R$ 16,90, em Cascavel.
A remuneração para a soja dos reassentados só não é maior porque, antes da orgânica, eles haviam plantado a convencional, havendo resíduos de produtos químicos. Camilo explica que, com a depuração do solo, na próxima safra passará a valer US$ 13,50 e na seguinte US$ 15,00. O custo da orgânica foi 20% inferior no plantio de Camilo.
Em Céu Azul, 22 das 42 famílias do Assentamento Nova União começam a colheita da orgânica, em 3 alqueires cada um, na média, com produtividade que deve ficar acima de 90 sacas - ela só não é superior porque houve problemas climáticos. Os que fizeram o plantio em áreas novas, nas quais ainda não havia sido utilizados agroquímicos, receberão US$ 15,00 por saca, e, mais, os que fizeram a colheita manual receberão um aditivo (de R$ 1,00).
Com colheitadeiras mecânicas, a soja fica levemente impregnada pelo cheiro (e resíduos) do óleo diesel dos máquinas. Além disto, remunerar a colheita manual é uma forma de incentivo ao emprego da mão-de-obra no campo, comenta Sessuana Polanski. No assentamento, cada produtor deve receber em média R$ 7,83 mil pela soja orgânica que produziu, os custos com sementes e adubo orgânico foram de R$ 1,2 mil, e o lucro líquido será de aproximadamente R$ 6,63 mil.





