Soja mantém rentabilidade em 97/98
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sábado, 29 de novembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
O produtor de soja vai continuar com alta rentabilidade na comercialização da safra 97/98, no mínimo de 40%. Mesmo com a produção recorde de soja que está sendo prevista na safra 97/98 no Paraná e no País, em torno de 30 milhões de toneladas, o mercado vai-se manter favorável ao produtor como foi o ano inteiro de 1997 em função do crescimento da demanda no mercado mundial, informou Flávio Turra, da Ocepar.
O índice de crescimento do consumo é maior do que o crescimento da produção, justificou. Enquanto a produção mundial cresce 18 milhões de toneladas, passando de 131 milhões na safra anterior para 149 milhões na safra 97/98, o estoque cresce apenas 5 milhões de toneladas, elevando de 13 milhões de t para 18 milhões, que ainda é considerado baixo para os padrões mundiais. Além disso só deve crescer o estoque de grão porque os estoques de farelo devem ter redução de 2% e de óleo, 1%, o que deve contribuir para manter as cotações desses produtos aquecidas, assinalou Turra.
Segundo Turra, a Ocepar está trabalhando com uma expectativa de preço em torno de US$ 14 a US$ 14,5 a saca, ainda superior a média histórica de US$ 11 a saca. Com isso a soja deve repetir o bom desempenho de comercialização na práxima safra e o produtor vai continuar com a rentabilidade alta, já que os custos de produção estão avaliados em torno de US$ 10 a saca.
No panorama interno, as previsões também são otimistas, segundo Turra. Ele ressaltou que o país vai colher a maior safra brasileira da história do cultivo de soja no País, o que deverá beneficiar tanto as indústrias como os produtores. Isso porque as indústrias nacionais podem atingir uma produção de escala e eventualmente ganhar competitividade na produção de farelo e óleo. Os produtores, por sua vez, também continuarão a ser beneficiados com a desoneração do recolhimento do ICMS sobre as exportações.
Ou seja, eles têm mais oportunidades de mercado do que tinham antes dessa abertura de mercado e a indústria terá que acompanhar as cotações do mercado externo para atrair a produção nacional, destacou. Antes da desoneração do ICMS o produtor ou a cooperativa só tinha a opção de vender para a indústria ou para a trading e agora tem a possibilidade de exportar diretamente, resumiu.
No Paraná A produção brasileira de soja, avaliada em 30 milhões de toneladas para a safra 97/98 representa um crescimento de 15,4% sobre a produção anterior, quando foram colhidos 26 milhões de toneladas. No Paraná, que se destaca como maior produtor nacional, a produção também deverá crescer na mesma proporção passando de 6,55 milhões de toneladas colhidas na safra passada para cerca de 7,3 milhões de toneladas, na próxima safra.
A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento prevê que a soja deverá gerar uma receita de R$ 1,6 bilhão na próxima safra, em função dos preços que ainda vão se manter atrativos para os produtores. A receita da soja responde por 20% da receita agropecuária do Estado.


