A soja assumiu a condição de produto líder da pauta de exportação brasileira nos dez primeiros meses do ano. De acordo com dados liberados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações de soja em grão atingiram US$ 2,648 bilhões de janeiro a outubro, superarando os aviões da Embraer e o minério de ferro. A expansão das vendas de soja foi influenciada pela safra recorde de 38,4 milhões de t, pelo aumento das compras da China - maior importador mundial do produto -e pela maior demanda dos países da União Européia. Apesar disso, a Embraer continua liderando o ranking das maiores empresas brasileiras exportadoras.

Segundo os dados do MDIC, a empresa exportou US$ 2,449 bilhões de janeiro a outubro, com crescimento de 10,28% sobre as vendas no mesmo período do ano passado, que somaram US$ 2,220 bilhões. A Petrobras ocupa o segundo lugar do ranking, tendo exportado US$ 2,242 bilhões nesse período.

O desempenho da soja foi fundamental para o crescimento de 23,7% que as exportações tiveram nos dez primeiros meses, mesmo com os preços desfavoráveis no mercado internacional. As exportações chegaram a US$ 13,25 bi de janeiro a outubro. O complexo soja foi responsável por exportações de US$ 4,796 bilhões, ante US$ 3,775 bilhões no mesmo período do ano passado.

''As vendas de produtos básicos foram extraordinárias'', disse o secretário-adjunto de comércio exterior do MIDIC, Ivan Ramalho. Além da soja, impulsionaram as exportações de produtos básicos a carne suína, de frango e bovina, fumo em folhas, petróleo em bruto e milho em grão.

Segundo Ramalho, a desvalorização do real teve efeito praticamente neutro nos aumentos das vendas de básicos, porque os preços desses produtos na sua grande maioria tem cotação em bolsas internacionais de mercadorias.

No caso dos manufaturados, em que o câmbio exerce influência mais decisiva, as exportações dos dez primeiros meses foram afetadas negativamente pela desaceleração econômica nos Estados Unidos e pela crise da Argentina.

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