O plantio de soja no arenito, região noroeste do Paraná, foi concluído na semana passada. A incorporação dessa área na produção de grãos do Estado representa um incremento de pelo menos R$ 40 milhões na economia regional.
Lançado oficialmente em julho deste ano, em Umuarama, o Projeto conseguiu aumentar em 15% a área de soja, passando de 87 mil para mais de 100 mil hectares nesta safra (2000/2001). O aumento de área significa ampliação do mercado de insumos como sementes, calcário, fertilizantes, defensivos, óleo dieesel, etc.
Os números do fomento agrícola no arenito podem ser maiores. Ano passado, apesar da seca, queda na produtividade e menor uso de insumos, a soja injetou cerca de R$ 30 milhões (só na região de Amerios, que representa 37 municípios). Nessa distribuição de riquezas não está computado o agronegócio do milho, já que a soja ocupa mais de 95% da área.
Base técnica O presidente da Cocamar, Luiz Lourenço, diz que agora o programa tem base científica e econômica para convencer o pecuarista das vantagens de introduzir lavouras de verão no arenito. A meta é chegar a 500 mil ha nos próximos cinco anos.
O arenino é a nova fronteira agrícola do Paraná, que parecia esgotada. Em toda a região há 2,3 milhões de ha de pastos; 70% estão abaixo da produtividade.
Desafio Convencer o pecuarista a conviver com a agricultura é o principal objetivo dos idealizadores do Programa Arenito. Tudo começou na prefeitura de Umuarama, em 1997. Hoje a cidade conta com um entreposto da Cocamar e numerosas revendas de insumos que se instalaram na cidade atraídas pelas boas perspectivas de produção.
O programa quer mostrar ao pecuarista a produção e o lucro que podem ser obtidos com culturas como a soja, além de tentar interromper o processo de degradação e de desertificação do solo arenito no Noroeste.
Os técnicos do programa destacam que a produtividade da soja no arenito, com aplicação tecnológica completa, se assemelha ao da terra roxa cuja média gira em torno de 130 a 140 sacas/ha.
O presidente da Cocamar cita que hoje a renda líquida na região do arenito é de R$ 65,00 com uma produtividade de 3,7 arrobas de carne por hectare/ano. Com o solo recuperado pelo ciclo da agricultura, a produtividade pode pular para 41 ou 52 arrobas por hectare/ano. ‘‘O mais impressionante também é que a renda líquida, na terra recuperada, aumenta em cinco vezes quando comparada ao que o pecuarista da região arenito tem hoje’’, confirma o agrônomo da cooperativa, Antonio Sacoman.
Segundo Lourenço, a partir de fevereiro do ano que vem, o programa irá ganhar força institucional e pretende ampliar o circuito de palestras e dias de campo. O programa é desenvolvido em parceria entre a Cocamar, Universidade Estadual de Maringá (UEM), IAPAR e Zenica (empresa privada de insumos).
Lourenço diz que por ‘‘natureza’’ o pecuarista é mais reservado e resistente a novidades dificultando a adesão ao programa. Outro problema, lembra o presidente da Cocamar, é que o sojicultor e o criador de gado vivem em extremos diferentes. Como o pecuarista é o maior detentor de terras na região, o programa tenta convencê-lo a aderir pelo sistema de arrendamento. Além disso tudo, o investimento inicial de R$ 500,00/ha no primeiro ano para a recuperação do solo é outra barreira.
Pelo programa, o solo arenito recebe um plantio de lavoura de verão, com preferência para a soja que por ser uma leguminosa melhora a terra. Os técnicos estimam também o plantio de algodão ou milho. Depois da colheita em março, começa o cultivo da aveia. Além de alimentar o gado no período de inverno, a aveia tem resistência à geada e no final da cultura, em outubro, deixa palha para o plantio direto no verão. ‘‘O solo coberto é essencial para o arenito’’, completa o presidente da Cocamar.

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