Soja é recorde também na importação
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quinta-feira, 19 de junho de 1997
Venilson Ferreira Agência Estado SÃO PAULO 
Tri-recordeSafra é a maior, tem o melhor preço, ao mesmo tempo em que o País importa maior volume O Brasil irá neste ano importar cerca de 1,7 milhão de toneladas de soja em grão, o maior volume da história, justamente quando o setor comemora recordes na produção, com colheita de 26,4 milhões de toneladas, e na exportação, estimada em 8,5 milhões de toneladas. Nelson Mamede, diretor de commodities da Sadia, explica que este descompasso se deve à retirada do ICMS sobre a exportação, que estimulou as vendas para o exterior, e a forte demanda internacional, concentrada no primeiro semestre deste ano.
A comercialização da soja brasileira este ano também ocorreu em tempo recorde, sendo que analistas do mercado estimam que atualmente os produtores já venderam 70% da safra.
Mamede prevê situação difícil para as indústrias de óleo de soja no segundo semestre deste ano. Pelas suas contas, qualquer quantidade de soja que o Brasil exportar acima de 7 milhões de toneladas necessitará ser importada depois para atender à demanda interna de óleo e farelo.
Segundo ele, no momento é difícil estimar o custo da importação da soja, pois os preços estão indefinidos, embora com tendência de baixa devido a previsão de colheita de uma safra recorde nos EUA. A Argentina, tradicional fornecedora do Brasil, este ano não dispõe de volume significativo de soja para exportação, apesar de ter colhido uma safra recorde, pois as vendas também se concentraram no primeiro semestre.
Além disso, diz ele, a cada ano os argentinos aumentam a capacidade interna de esmagamento, por causa dos incentivos do governo para processamento interno da matéria-prima e exportação dos derivados.
Devido ao aumento das exportações do grãos, este ano o Brasil terá a menor produção de óleo e farelo de soja dos últimos cinco anos, mesmo com a importação de soja no segundo semestre, de acordo com estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove).
Na opinião de Mamede, a importação só será viável para as empresas que têm fábricas na costa brasileira, pois o custo para levar a matéria-prima para regiões interiores seria proibitivo. César Borges, presidente da Abiove, diz que muitas fábricas irão paralisar a produção mais cedo este ano, por causa da falta de matéria-prima.
Mamede diz não ter dúvidas de que o preço do óleo de soja no mercado interno será pressionado a partir de outubro, até a entrada no mercado da soja da safra nova, o que deverá ocorrer na segunda quinzena de fevereiro do próximo ano. Em relação à avicultura e suinocultura, na opinião de Mamede a pressão de alta por causa do aumento de preços do farelo de soja será compensada pelo preço menor do milho.
Na opinião de Nelson Mamede, os exportadores foram os grandes beneficiados na comercialização da safra de soja neste ano, pois tiveram redução de custo com a isenção do ICMS e venderam o produto num período de alta de preços da commodity no mercado internacional.
As indústrias, diz ele, foram prejudicadas pois a isenção do ICMS eliminou as alíquotas diferenciadas existentes até o ano passado, que tornavam competitivas as exportações de óleo e farelo. Além de perder o benefício na exportação, as esmagadoras também enfrentam sobretaxas para vender o óleo de soja nos Estados Unidos, Europa e Japão.


